Fazendeiro submetia 152 pessoas a trabalho escravo

Três fazendas no sul do Pará mantinham 152 pessoas em regime de trabalho escravo, informou nesta quinta-feira uma das coordenadoras de fiscalização do Ministério do Trabalho, Valderez Monte Rodrigues. Em apenas uma delas, foram localizados 119 trabalhadores. As três fazendas pertencem a um única pessoa, que foi autuada pelos fiscais e ainda poderá ser multada pela Delegacia do Trabalho no Pará. As pessoas foram libertadas entre 5 e 13 de julho pelo grupo móvel de fiscalização do ministério. Os trabalhadores não tinham carteira assinada e roçavam e desmatavam uma área distante, para onde só se chegava usando transporte da própria fazenda. Valderez conta que os trabalhadores estavam endividados na cantina do alojamento, moravam em barracos de lona sem segurança ou higiente e bebiam água do mesmo córrego onde tomavam banho e por onde o gado transitava. Eles teriam recebido proposta salarial maior do que o salário mínimo."Certamente a oferta era alta, porque não havia a intenção de pagar os salários", especula a coordenadora do ministério que participou da operação. Segundo ela, os trabalhadores eram obrigados a comprar seus alimentos dos "gatos", ou seja, empreiteiros que levam mão-de-obra para as fazendas. As compras eram marcadas em cadernos, sem a discriminação de preços. Quando alguém tentava deixar o trabalho, não conseguia porque tinha uma enorme dívida a saldar. Valderez diz que o trabalho escravo na região não é novidade - neste ano já foram realizadas outras cinco operações em que 171 pessoas desempenhavam "trabalho degradante" - tanto que alguns dos trabalhadores libertados desta vez consideram essa "condição normal". Nos depoimentos aos fiscais do ministério, eles disseram não ter outro caminho, nem outra aspiração. Como endereço, a maioria dos 152 libertados indicaram pensões em Redenção ou Santana do Araguaia. A coordenadora do ministério desconfia que os donos dessas pensões também participaram do esquema de cooptação dos trabalhadores. Ela achou curioso todos serem paraenses mesmo. Normalmente, as pessoas são trazidas de outras regiões, principalmente do Maranhão. Para ela, não será surpreendente se localizar novamente algumas desses mesmas pessoas em regime de escravidão em outras fazendas.

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