Fazendeiro é transferido para penitenciária em BH

O fazendeiro Adriano Chafik Luedy, de 37 anos, preso como suspeito de ser o mandante e um dos executores da chacina de cinco integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), em Felisburgo (MG), foi transferido no início da tarde de hoje para a penitenciária Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte. Chafik, que se entregou à polícia em São Paulo, estava detido desde a noite de ontem no Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp) da Polícia Civil mineira. Ao ser apresentado no final da manhã, ele deu a sua versão para o episódio e, conforme disse no depoimento prestado ontem ao delegado Wagner Pinto, que preside o inquérito, confirmou que participou da ação no acampamento Terra Prometida. Ele voltou a alegar que agiu em legítima defesa e atirou depois de ser atingido por um golpe de foice na altura do peito. "Estava ali defendendo a minha vida. Sei que a verdade virá à tona", afirmou Chafik, proprietário da fazenda Nova Alegria, invadida desde maio de 2002 pelo MST. No depoimento, o fazendeiro admitiu que efetuou o primeiro disparo que desencadeou a chacina dos sem-terra. "O sujeito me agrediu com a foice. Não sei nem se eu cheguei a atingir alguém, foi muito rápido", contou durante uma tumultuada entrevista. "Se eu soubesse do efeito negativo que a coisa teria, se eu pudesse prever o que aconteceria, eu não teria feito, com respeito à vida humana. Mas ali eu estava defendendo a minha (vida)". Reafirmou também que estava na propriedade acompanhado de "seguranças" para apurar supostos atos de vandalismo contra a propriedade e furto do gado. "Eu estava na minha fazenda. Eu tenho o direito de ir e vir na minha fazenda", observou. Chafik disse que permaneceu foragido durante dez dias porque ficou "chocado" com o ocorrido. "Tem quase três anos que eu venho negociando com a Justiça, com a liminar de reintegração de posse na mão, para que não houvesse embate nenhum", reclamou. "Eu estou muito abalado com essa situação toda".A alegação de legítima defesa não convenceu o delegado responsável pelo inquérito, que apontou diversas contradições no depoimento do fazendeiro. O advogado Antônio Francisco Patente, contratado em Belo Horizonte para defender Chafik, disse que a princípio não irá solicitar um habeas-corpus para seu cliente. Outros três suspeitos de participação na chacina, que estavam presos na penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, também foram transferidos na noite de ontem para a Dutra Ladeira.

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