Fazendeiro é suspeito de ser mandante da chacina dos sem-terra

A Polícia Civil de Minas Gerais, com apoio da Polícia Federal, começou hoje a investigar o assassinato de cinco integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), ontem, em Felisburgo (MG). Segundo o ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, que esteve hoje na cidade, as primeiras apurações indicam como o principal suspeito de ser o mandante da chacina o fazendeiro Adriano Chafik, identificado como proprietário do imóvel, que foi ocupado pelos sem-terra em maio de 2002. Nilmário disse que há mais de dois anos a polícia abriu um inquérito para apurar denúncias dos integrantes do MST contra Chafik, que estaria ameaçando de morte os acampados. "Já havia um inquérito por ameaças por parte desse Adriano Chafik". De acordo com Nilmário, há relatos de que os pistoleiros usaram uma caminhonete Toyota branca, que pertenceria ao fazendeiro. Chafik também teria sido visto na região na véspera das execuções. "Houve um planejamento. Não foi nada de improviso", observou Nilmário. Segundo o ministro, o grupo de pistoleiros teria sido comandado por um ex-policial civil, identificado como Calixto, e o alvo eram os líderes do acampamento. "Foi uma ação deliberada, planejada para a matança".Nilmário, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, e o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, se reuniram pela manhã com o comandante geral da PM e o chefe da Políca Civil de Minas.A coordenação do MST em Minas divulgou o nome das vítimas fatais: Iraguiar Ferreira da Silva, de 23 anos; Miguel José dos Santos, 56 anos; Francisco Nascimento Rocha, 62 anos; Juvenal Jorge da Silva e Joaquim José dos Santos, cujas idades estimadas superior a 65 anos. Os corpos dos sem-terra estão sendo necropsiados no Instituto Médico-Legal (IML) de Teófilo Otoni. O enterro está previsto para ocorrer amanhã.

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