Fazendeiro do caso Dorothy é preso no interior do Pará

Policiais caminharam 8 quilômetros mata adentro para localizar Bida

Carlos Mendes, BELÉM, O Estadao de S.Paulo

10 de abril de 2009 | 00h00

Com prisão decretada pelo Tribunal de Justiça do Pará, que na terça-feira anulou o segundo julgamento em que fora absolvido, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de ser o mandante do assassinato da missionária americana Dorothy Stang, foi localizado na noite de anteontem, pela polícia, em uma das fazendas dele, a 30 quilômetros de Anapu, no sudoeste paraense. O delegado Luís Nicácio e dois policiais deram voz de prisão a Bida, mas precisaram andar oito quilômetros a pé pela mata, numa área de difícil acesso e com estradas intransitáveis, para encontrar o fazendeiro. Bida não ofereceu resistência e foi levado para a Superintendência da Polícia Civil de Altamira, onde ficará até que seja definida a penitenciária para onde será transferido. A Justiça quer que o fazendeiro fique separado dos outros três condenados no processo - o capataz de fazenda Amair Feijoli da Cunha, o Tato, o pistoleiro Rayfran das Neves Sales, o Fogoió, e seu comparsa no crime, Clodoaldo Carlos Batista, o Eduardo, que estão no presídio de Marituba, a 25 km da capital. Nicácio informou que, por medida de segurança, Bida teve de usar colete à prova de balas durante a viagem de carro de Anapu a Altamira, num percurso de 120 km pela rodovia Transamazônica. O acusado está em uma cela comum e deveria prestar depoimento ontem, antes da viagem para Belém, prevista para hoje. O segundo júri popular do fazendeiro foi anulado porque os desembargadores entenderam que a defesa utilizou uma prova ilegal: um vídeo gravado dentro da penitenciária por Tato, inocentando Bida de ter agido como intermediário no assassinato de Dorothy. Esse depoimento foi incluído nos autos sem o conhecimento do Ministério Público e do juiz. O promotor Edson Cardoso pediu uma investigação para saber como o vídeo foi gravado e quem facilitou a gravação na cadeia. "Não houve nenhuma ilegalidade na apresentação desse vídeo no julgamento e nem isso foi determinante para a absolvição dele. A prova foi anexada ao processo no prazo determinado por lei", sustenta o advogado Eduardo Imbiriba. Um pedido de habeas corpus em favor do acusado deve entrar no tribunal na próxima segunda. A missionária americana naturalizada brasileira tinha 73 anos e foi morta com seis tiros, pelas costas, em Anapu, em 12 de fevereiro de 2005. Ela vinha denunciando a derrubada da floresta por madeireiros da região, grilagem de terras públicas e trabalho escravo, além de lutar pela implantação de um plano de desenvolvimento sustentável.

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