Fazendeiro briga com Incra por terra

O fazendeiro Serafim Rodrigues de Moraes, mais conhecido como "Cemí", teve uma de suas fazendas desapropriadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no início da década de 90 para assentamento de sem-terra.A Fazenda Timboré, de 3.400 hectares, havia sido invadida meses antes por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A propriedade era usada para engorda de gado, e a produtividade das terras era considerada apenas razoável.O Incra cadastrou 176 famílias e entregou-lhes as terras em 1996. O projeto de assentamento foi coordenado pelo Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp).Segundo o técnico Sadao Moryama, o fazendeiro não concordou com o valor da indenização e entrou com uma ação na Justiça contra o Incra. O processo ainda não teve julgamento final. "Cemí" é bastante conhecido em Andradina, no interior de São Paulo, onde mantém uma casa e tem fama de ser rico. Não havia ninguém na residência nesta sexta-feira."Ele tem fazendas em toda parte, mas as maiores estão em Goiás", disse a funcionária de uma loja onde "Cemí" costuma fazer compras, Márcia Fernandes. Mas o fazendeiro passa a maior parte do tempo em São Paulo, onde também possui uma residência. O irmão dele, Orenci Rodrigues de Moraes, que morreu há quatro anos, foi prefeito de Andradina pelo PTB. "Cemí" foi cotado para uma possível candidatura.O fazendeiro não foi visto nos últimos dias na região - ele freqüenta também Araçatuba (SP) para fazer negócios com bois. Familiares informaram que ele tem dividido o tempo em viagens entre a capital paulista e Goiás.A viúva do ex-prefeito, Maria Helena Moraes, cunhada de "Cemí", disse que tem sido difícil falar com ele. "O ´Cemí´ não pára."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.