Fazendeiro admite participação na ação contra sem-terra em Minas

No depoimento que prestou hoje ao delegado Wagner Pinto, o fazendeiro Adriano Chafik Luedy, 37 anos, admitiu que participou da ação no acampamento Terra Prometida, que resultou na morte de cinco integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e ferimentos em outros 13, no dia 20 de novembro, em Felisburgo (MG). Chafik é proprietário da Fazenda Nova Alegria, invadida desde maio de 2002 pelo MST. Ele confirmou que estava armado e chegou ao acampamento acompanhado de pelo menos oito pessoas. O fazendeiro, porém, alegou legítima defesa. Segundo o delegado Edson Moreira - chefe do Departamento de Operações Especiais (Deoesp) da Polícia Civil mineira, que acompanhou parte do depoimento -, Chafik acusou os sem-terra de roubar o gado e disse que esse foi um dos motivos que o levou ao acampamento, acompanhado dos "seguranças". O fazendeiro atribuiu a seu primo, Carlixto Luedy Filho, a contratação dos supostos pistoleiros. Carlixto já teve a prisão temporária decretada pela Justiça e até o início da noite de ontem encontrava-se foragido. Segundo o relato de Chafik, o conflito com os acampados ocorreu porque ele foi cercado e agredido com uma foice pelos sem-terra. Os policiais constataram que o fazendeiro apresentava um ferimento superficial no tórax. Ele confessou que portava uma pistola 380 - que seria uma das 12 armas apreendidas na semana passada no interior da fazenda - e que atirou durante o tumulto.

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