Fazendeiro acusa sem-terra de incendiar sítio em SP

Cinco dias depois de terem sido despejados do Sítio Santa Marina, em Pederneiras (SP), integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) e da Federação dos Trabalhadores Assalariados Rurais do Estado de São Paulo (Fetaresp) voltaram ao local hoje e atearam fogo no pasto. As chamas consumiram metade da área total da propriedade, de 31 hectares. De acordo com o dono do sítio, Antonio Aversa Neto, o caseiro reconheceu alguns dos despejados entre os autores da queimada. "Eles ainda o ameaçaram, dizendo que voltarão a invadir o sítio depois da eleição".

JOSÉ MARIA TOMAZELA, Agência Estado

29 de outubro de 2010 | 16h15

A propriedade é vizinha do Assentamento Aimorés, administrado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e tinha sido invadida no dia 6 de agosto de 2009. O Incra alegava que o terreno fazia parte do assentamento. No início de outubro deste ano, a Justiça Federal reconheceu a titularidade de Aversa Neto sobre o terreno e mandou despejar os invasores.

O produtor rural teve de custear o transporte dos barracos e do pessoal. Segundo ele, os sem-terra não aceitam a decisão judicial e mantêm a propriedade sob cerco. A estrada municipal de acesso, que passa pelo assentamento, foi bloqueada com paus e arame. "Eles ficam fazendo terrorismo e me impedem de produzir", disse Aversa Neto.

O Incra informou ter entrado com recurso contra a decisão favorável ao produtor. O MST negou participação no incêndio e informou que os sem-terra despejados não integram o movimento. O líder dos assentados, que se identificou apenas como Laércio, não quis falar sobre o caso.

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