Fazenda Paraíso existe, diz Assis Paim

A Fazenda Paraíso existe. Pelo menos é o que garante o empresário Assis Paim, pivô do escândalo Coroa-Brastel, em que foi acusado de fraudar 34 mil investidores ao emitir letras de câmbio sem lastro, com valor equivalente a R$ 300 milhões, na década de 80.De acordo com Paim, a Paraíso foi comprada por ele, em janeiro de 1983, do também empresário Vicente de Paula Pedrosa da Silva, hoje suspeito de ter atuado como intermediário do senador Jader Barbalho em negociações com Títulos da Dívida Agrária (TDAs).Pedrosa teria conseguido a desapropriação da fazenda junto ao Ministério da Reforma Agrária, em 1988, quando Barbalho era o titular da pasta. "Seria puro palpite especular se Jader Barbalho sabia que as terras pertenciam a mim, e não ao Pedrosa. Agora, que o Vicente Pedrosa tinha me vendido (as terras), recebeu o dinheiro, e era ligado ao Jader Barbalho - tanto que conseguiu a desapropriação -, não resta a menor dúvida", afirmou Paim.Nesta terça-feira, durante depoimento à Polícia Federal, no Pará, o senador afirmou que não se lembra da Fazenda Paraíso, no município de Viseu, divisa entre Pará e Maranhão. Paim acusa Pedrosa de ter ocultado a escritura de venda da Fazenda Paraíso, durante o processo de desapropriação dos 58 mil hectares.A engenheira agrônoma Norma Iracema Santana, do Projeto Fundiário de Paragominas, esteve em Viseu, na única vistoria feita no local.Ela só encontrou três hectares de capim. A desapropriação foi revista, mas o que foi pago a Pedrosa (547 milhões de cruzados, mais 55.221 TDAs) nunca foi recuperado. Paim diz possuir plantas que informam os limites da fazenda, escrituras de venda e toda a documentação que comprova a existência da Paraíso."Um laudo de avaliação do Banco do Brasil, assim como plantas de localização da fazenda, atestam sua existência", escreveu o empresário num dossiê enviado em 13 de junho ao senador Eduardo Suplicy, para que o parlamentar o utilizasse da forma que "mais atenda os superiores interesses do País". "Soube que o senador tinha encaminhado o documento à revista Veja e me senti à vontade de divulgar para outros jornais", afirmou Paim.Ele enviou ao jornal O Estado de S.Paulo documentos que comprovam a propriedade das terras, entre eles cópia da escritura de compra das terras pela SNCI - Sociedade Nacional de Comercialização Integrada, que pertencia a Paim. Segundo o empresário, quando ele decidiu tomar alguma atitude contra a desapropriação, ela já havia sido revista. Ele deseja agora vender a Paraíso.Paim calcula que conseguiria R$ 34 milhões pelas terras. "Não tenho que reaver uma fazenda que nunca deixou de ser minha", afirma. "Só acho estranho que depois de tanto tempo nunca descobriram quem ficou com o dinheiro adquirido com a venda das terras." De acordo com Paim, ele só não inscreveu a fazenda como sua no Registro Geral de Imóveis porque o dinheiro "faria falta". Ele comprou a Paraíso seis meses antes de estourar o caso Coroa-Brastel.Quando terminou de pagar a fazenda - a compra foi parcelada em seis vezes -, já estava no meio das denúncias. "Empresários invadiram minhas propriedades, tomando como coisa própria. Perdi R$ 650 milhões", afirma Paim.

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