Fazenda nega favorecimento para beneficiar Varig

O Ministério da Fazenda, em comunicado oficial distribuído pela assessoria de imprensa, negou que tenha havido favorecimento da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para beneficiar a Varig. Em entrevista publicada hoje pelo jornal O Estado de S. Paulo, a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu denunciou que o ex-procurador-geral da Fazenda Nacional Manoel Felipe Brandão foi afastado do cargo por ter dado declarações afirmando que o comprador da Varig herdaria as velhas dívidas. Segundo Denise Abreu, Brandão foi substituído por Luís Adams, que emitiu um parecer garantindo que não havia necessidade de sucessão das dívidas. "Sobre as declarações da ex-diretora da Anac em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Fazenda esclarece que não houve nenhuma solicitação direta ou indireta para emissão de parecer da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional que beneficiasse a Varig", afirma o comunicado. O procurador Luís Adams não quis se pronunciar. Procurada, a assessoria de Adams informou que seria a assessoria do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que comentaria o caso. Denise Abreu relatou ainda que foi pressionada pela ministra da Casa Civil e pela secretária-executiva da pasta, Erenice Guerra, a tomar decisões favoráveis à venda da VarigLog e da Varig ao fundo americano Matlin Patterson e a três sócios brasileiros. Na entrevista, Denise conta que Brandão deu algumas declarações dizendo que a sucessão de dívidas não estava afastada. "Ao saber disso, o juiz Ayoub (Luiz Roberto Ayoub, da Vara Empresarial do Rio de Janeiro) solicitou uma audiência com o procurador, em Brasília. O procurador achou que ia receber só o juiz. Mas a diretoria da Anac também foi chamada, além de um assessor da Erenice (Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil) e alguns jornalistas. Enfim, uma quantidade de pessoas bem maior do que ele imaginava, e ele manteve seu posicionamento. Em poucos dias, ele saiu da procuradoria e foi colocado o procurador Luiz Adams. Aí foi emitido um parecer garantindo que não havia sucessão de dívidas", afirmou ainda Denise Abreu ao Estado.

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