Fazenda e Planejamento aceleram cálculos do impacto de correção do FGTS para viabilizar acordo

Relator da proposta, Rodrigo Maia (DEM-RJ), está propenso a chegar a um entendimento com a equipe econômica

Rafael Moraes Moura e Gustavo Porto, O Estado de S. Paulo

18 de agosto de 2015 | 13h41

BRASÍLIA - Diante a urgência da tramitação do projeto que muda a correção do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), os ministérios da Fazenda e do Planejamento aceleraram os cálculos dos impactos da proposta, que pode ser votada nesta terça-feira, 18, na Câmara dos Deputados. Enquanto isso, o vice-presidente da República e articulador político do governo, Michel Temer (PMDB), tenta costurar um texto final a ser apresentado ao plenário.

 

Segundo o Estado apurou, o relator da proposta, Rodrigo Maia (DEM-RJ), está sensível com o impacto da correção e propenso a chegar a um entendimento com a equipe econômica. O cenário ideal para o Palácio do Planalto seria diluir a correção do FGTS até 2023, minimizando o impacto da medida em áreas sociais, principalmente o financiamento imobiliário, ou seja, na área de construção civil.

 

No entanto, pelas negociações até agora na Câmara, o aumento seria escalonado em apenas três anos, com a correção a partir da inflação já em 2019. Pela proposta, a correção do FGTS seria pela Taxa Referencial (TR) mensal mais 4% em 2016, TR mais 5% em 2017 e TR mais 6,17% em 2018.

 

Em uma rápida entrevista ao deixar o seu gabinete após encontro com lideranças do governo da Câmara para tratar do assunto, Temer disse apenas que a reunião foi "muito boa" e que o projeto segue negociado pelo governo. "As coisas estão caminhando bem", disse. 

 

Nesta manhã, o vice-presidente se reuniu com os ministros Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento), Gilberto Kassab (Cidades), Ricardo Berzoini (Comunicações) e Aldo Rebelo (Ciência e Tecnologia), o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE) e Rodrigo Maia para discutir o projeto que muda o cálculo de correção do FGTS.

 

Ao deixar o encontro, Guimarães deixou claro que a preocupação do governo é garantir recursos para a continuidade do financiamento imobiliário do Minha Casa Minha Vida, cujos recursos oriundos do FGTS poderiam ser reduzidos, caso a correção do fundo fosse maior.

 

"O projeto está na pauta de hoje e está sendo discutida um acordo que dê ganhos ao trabalhador e que se tire as dúvidas que tem sobre o impacto do financiamento social da habitação. Está se tentando chegar um acordo que escalone a entrada, o aumento dos rendimentos das contas do FGTS, a partir de 2016, isso dará um prazo para que possa se avaliar os impactos", disse o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), ao chegar ao gabinete da Vice-Presidência. 

 

"Creio que o que se busca é um entendimento em que todos saiam ganhando", ressaltou o líder peemedebista.

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