Fazenda de família de deputado é ocupada em PE

No interior paulista, cerca de 1.200 pessoas mantêm ocupação de propriedade da Ambev

Angela Lacerda, RECIFE, O Estadao de S.Paulo

14 de abril de 2008 | 00h00

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Pernambuco (Fetraf-PE) ocupou na madrugada de ontem duas fazendas de propriedade da família do deputado Carlos Wilson Campos (PT-PE) em Santa Maria da Boa Vista, sertão pernambucano. Em São Paulo, anteontem, cerca de 600 famílias de agricultores ligados ao Movimento dos Sem-Terra (MST), totalizando 1,2 mil pessoas, invadiram uma propriedade da Ambev - a Fazenda Águas do Pilintra, de 5,4 mil hectares, no município de Agudos. As ocupações fazem parte da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, realizada em abril desde o massacre de Eldorado dos Carajás (PA) - quando 19 trabalhadores sem-terra foram mortos em confronto com policiais militares -, em 16 de abril de 1996. Somente em Pernambuco o MST fez 15 ocupações ontem. Com as três áreas ocupadas anteontem, sobe para 18 o número de fazendas invadidas. A meta do movimento é chegar a 35 até o fim do mês.As fazendas da família do deputado que foram invadidas, de acordo com a Fetraf, são a Poço do Icó e a Planalto. A federação diz que cerca de 200 trabalhadores participaram da ocupação.Em São Paulo, a área da Ambev é usada para produzir cerveja. "A fazenda tem plantação de eucalipto e cana-de-açúcar. Cada pé de eucalipto ?bebe? 30 litros de água por dia. É um roubo da água. A fazenda tem que ser destinada à produção de alimentos e não à produção de madeira e biodiesel", afirmou Lourival Plácido de Paula, dirigente do MST. Em 2006, a área foi declarada improdutiva pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).O Estado procurou ontem representantes da Ambev, mas não obteve retorno.COLABOROU SANDRO VILLAR

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