Fazenda de café é flagrada usando trabalho escravo na BA

Dois galpões de madeira cobertos de palha à semelhança das antigas senzalas era usado por 51 trabalhadores rurais da Fazenda Laranjeiras, na zona rural do município de São Desidério no Oeste baiano como alojamentos. Camas feitas de galhos, inexistência de sanitários e qualquer assistência médica, fogões improvisados com lenha e pedras, salários aviltantes e atrasados, completavam o quadro encontrado pelos fiscais da Procuradoria do Trabalho ontem que poderia ser confundido com uma cena do tempo da escravidão no Brasil abolida há 115 anos. Na fazenda de café, produto que vem sendo largamente cultivado no oeste baiano nos últimos anos, havia até espancamentos perpetrados pelos "feitores" modernos, conforme denunciou um dos trabalhadores que preferiu não se identificar. O grupo foi contratado havia três meses nas cidades de Barreiras e São Desidério para trabalhar na colheita ganhando R$ 5,00 por saca, com alimentação fornecida pela fazenda, e R$ 3,5 para os que não recebiam comida. Ninguém possuía carteira assinada e muitos estavam com os salários atrasados, impossibilitados de deixar o local. O caso foi descoberto graças a uma denúncia anônima à Procuradoria do Trabalho e não parece ser uma exceção nas fazendas de café do oeste baiano conforme admitiu sem o menor constrangimento o proprietário da Laranjeiras, Eustáquio da Silveira Vargas. "Essa é uma empresa totalmente livre a aberta: o trabalhador vem e sai a hora que quer, isso é praxe na região, nós os fazendeiros utilizamos essa mesma sistemática de contratação". Ele teve que acertar as contas com os trabalhadores na frente dos fiscais do Ministério do Trabalho. Gastou cerca de R$ 50 mil com as rescisões, pagando tudo a que os trabalhadores tinham direito. A procuradora Maria Lúcia Vieira que comandou a blitz na Fazenda Laranjeiras disse haver uma "demanda reprimida" no oeste baiano e, devido aos resultados práticos das ações da procuradoria, a cada dia vem aumentando o número de denúncias sobre trabalho escravo no Ministério do Trabalho. Segundo ela, outras seis fazendas da região foram denunciadas nos últimos 15 dias e devem ser visitadas pelos fiscais. Após receber os salários atrasados os 51 trabalhadores foram retirados da Laranjeiras com o apoio da Procuradoria do Trabalho.

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