'Fazemos tanto que não conseguimos inaugurar tudo', diz Serra

Governador cobrou em público sua equipe por mais cerimônias inaugurais, de preferência ainda em 2010

Carolina Freitas, da Agência Estado,

27 de janeiro de 2010 | 17h46

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), gabou-se nesta quinta-feira, 27, de fazer tantas obras a ponto de não conseguir inaugurar todas e cobrou em público sua equipe por mais cerimônias inaugurais, de preferência ainda em 2010. "Tem gente que inaugura pedra fundamental de escola técnica. Nós não conseguimos inaugurar as novas", afirmou à plateia de cerca de 100 pessoas em evento para entrega de uma escola técnica (Etec) na Penha, zona leste da capital paulista.

 

Possível candidato tucano à Presidência nas eleições deste ano, Serra esquivou-se de responder a quem dirigia a crítica. "É como costuma ser na vida pública do Brasil. Tem uma tradição de inaugurar pedra fundamental", afirmou. Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que inauguraria "o máximo de obras possível" até março, enquanto a ministra e provável candidata petista, Dilma Rousseff, estará no governo federal.

 

Ao microfone, Serra sugeriu ao secretário de Desenvolvimento, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), um evento de "inauguração" para marcar a oferta de cursos profissionalizantes em salas de aula de Centros Educacionais Unificados (CEUs), da Prefeitura, no período noturno, feita desde 2009. "Já tem dez CEUs com curso técnico noturno. Eu não sabia. Acho que o Alckmin também não. Nós não fomos a nenhuma inauguração. Cabia, à noite, ir numa inauguração."

 

O governador reclamou ainda do nome do Centro Paula Souza, autarquia que administra as instituições de ensino técnico do Estado. "Há um problema de comunicação. O Paula Souza é totalmente do Estado. Não é privado, nem da tia Paula, uma senhora benemérita e rica", disse. "A imprensa é louca para tratar assim." Serra já disse, mais de uma vez, que gostaria de mudar o nome para SPTec para deixar claro que os cursos são oferecidos pelo governo de São Paulo.

 

A diretora do Centro Paula Souza, Laura Laganá, e o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, foram cobrados em público pelo governador pelo projeto de uma Etec na Vila Maria Zélia, no Belém, zona leste da capital. "Só queria cobrar uma coisa, o Maria Zélia. São prédios históricos e é algo que está desde o início do governo dando volta", disse Serra. Laura informou o governador que o Estado fechará amanhã a compra dos edifícios e que a inauguração da escola deve ficar para 2011. "Queria que fosse em 2010, viu?", avisou o tucano.

 

Questionado em seguida pela imprensa sobre o motivo da pressa em entregar a Etec, Serra garantiu ser um "problema biográfico". "Eu prometi ao seu Frias Octavio Frias de Oliveira, publisher do jornal 'Folha de S.Paulo', falecido em 2007, que estudou lá, que faria essa restauração, mas ficou muito encrencado, pois o prédio era do INSS", explicou. "O Estado vai cumprir a promessa. O pessoal já estava com a resposta na ponta da língua porque sabia que eu ia cobrar."

 

Na inauguração, Serra subiu ao palanque cercado por políticos tucanos. Eram 20 correligionários em cima do palco, entre eles os deputados federais José Aníbal (SP) e Jutahy Magalhães (BA), os deputados estaduais Milton Flávio e Bruno Covas e os vereadores Floriano Pesaro, Gilberto Natalini e Gilson Barreto. Três deles discursaram e não pouparam elogios a Serra, como Natalini. "Há governos que falam muito e fazem pouco. Há governos que quase não falam, mas fazem demais. É a esses governos que temos de entregar os rumos dos Brasil."

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