'Faxina' nos Transportes já afastou 13 pessoas

Escolha dos demitidos desta terça, 19, foi cirúrgica: a maioria é vinculada ao secretário-geral do PR, Valdemar da Costa Neto, e ao ex-ministro Alfredo Nascimento

Leandro Colon / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2011 | 19h08

A prometida "faxina" no Ministério dos Transportes atingiu mais seis pessoas. Foram demitidos nesta terça-feira, 19, quatro funcionários do ministério e dois do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Agora, já são 13 os funcionários afastados desde a revelação do esquema de corrupção dentro dos Transportes, no começo do mês.

 

A escolha dos demitidos de terça foi cirúrgica: a maioria é vinculada ao secretário-geral do PR, Valdemar da Costa Neto, e ao ex-ministro Alfredo Nascimento, que foi demitido duas semanas atrás e assumiu a presidência do partido. No rateio do poder ministerial pela coalizão de 18 partidos, o PR é o partido que ficou com a pasta dos Transportes.

 

As demissões da terça-feira foram acertadas pelo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, com a presidente Dilma Rousseff, em reunião na segunda-feira, 18, no Palácio do Planalto. As exonerações não devem parar por aí.

 

A expectativa é que novos nomes sejam anunciados entre a quarta-feira, 20, e a sexta, 22, incluindo o diretor de Infraestrutura Rodoviária do Dnit, o petista Hideraldo Luiz Caron, e mais assessores ligados ao PR dentro do ministério, entre eles Eduardo Lopes, indicado pelo deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), e apadrinhados do ex-ministro Alfredo Nascimento.

 

Do Ministério dos Transportes foram exonerados José Osmar Monte Rocha, Estevam Pedrosa, Darcy Michiles e Maria das Graças de Almeida. Caíram no Dnit Luiz Cláudio dos Santos Varejão, coordenador-geral de Operações Rodoviárias - este, subordinado a Caron, e Mauro Sérgio Fatureto, coordenador de Administração Geral. Varejão e Fatureto fazem companhia a outros superiores afastados do Dnit, o diretor-geral, Luiz Antônio Pagot, e o diretor-executivo, José Henrique Sadok de Sá.

 

São pessoas que mantinham influência dentro do ministério. Atuavam na parte burocrática e na execução dos projetos da pasta. Eram assessores considerados "olheiros" do PR dentro do governo. A saída deles, espera o Palácio do Planalto, deve desestabilizar a organização do esquema montado ao longo dos anos.

 

Surpreendido. Um episódio registrado na terça-feira dentro do ministério demonstra que a "faxina" determinada por Dilma ao ministro Paulo Sérgio Passos tem ocorrido sem qualquer diálogo com os atingidos. Um deles, José Osmar Monte Rocha, por exemplo, foi pego de surpresa ao chegar para trabalhar. Ele não sabia que seria demitido. A decisão foi tomada pelo ministro Passos na segunda-feira, 18, após o Estado procurar o ministério para tratar do teor de uma reportagem envolvendo o nome de Rocha. A reportagem mostrou o envolvimento dele na contratação de uma empresa de fachada, a Tech Mix, pelo Dnit por R$ 18,9 milhões em 2010. Apadrinhado de Valdemar, Rocha era uma das "ligações" do esquema entre ministério e Dnit.

 

Já Darcy Michiles é ligado a Alfredo Nascimento. Filiado ao PR no Amazonas, foi deputado federal e era Secretário de Fomento para Ações dos Transportes. Maria das Graças Almeida trabalhava com ele na secretaria. Ambos foram exonerados "a pedido". O outro demitido, Estevam Pedrosa, era um dos principais assessores de Alfredo Nascimento e deve seguir com ele para o Senado.

 

A crise nos Transportes começou há pouco mais de duas semanas, após reportagem da revista Veja revelar a existência de um esquema de corrupção na pasta. Logo em seguida, o governo anunciou o afastamento de Luiz Antônio Pagot da diretoria-geral do Dnit, do presidente da Valec, José Francisco das Neves, o Juquinha, do chefe de gabinete do Ministério dos Transportes, Mauro Barbosa, e do assessor Luiz Tito.

 

Alfredo Nascimento não resistiu à pressão e pediu demissão dias depois.

 

Na sexta-feira passada, 15, foi a vez do diretor-executivo do Dnit, José Henrique Sadok de Sá, perder o cargo, após o Estado revelar que a construtora da mulher dele ganhou R$ 18 milhões obras de rodovias federais vinculadas a convênios com o Dnit. Sadok acumulava o cargo de diretor-geral interino no lugar de Pagot, que saiu de férias após a informação divulgada pelo governo de que havia sido afastado. Pagot já foi avisado que não voltará ao cargo. O outro afastado é Frederico Dias, que era um funcionário terceirizado indicado por Valdemar Costa Neto.

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