Andre Dusek/AE
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Faxina na Agricultura leva à apreensão de computadores; Dilma ainda defende Rossi

Presidente volta a declarar confiança no titular da pasta e Gilberto Carvalho afasta a possibilidade de demissão do ministro do PMDB, apadrinhado pelo vice, Michel Temer

João Domingos e Rafael Moraes Moura, de O Estado de S.Paulo, e Gustavo Uribe, da Agência Estado

08 de agosto de 2011 | 23h00

BRASÍLIA e SÃO PAULO - Apesar do apoio da presidente Dilma Rousseff e do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) ao ministro da Agricultura, Wagner Rossi, a Controladoria-Geral da União (CGU) recolheu na segunda-feira, 8, computadores do ministério e abriu uma nova investigação para apurar as denúncias de tráfico de influência e corrupção na pasta.

 

Na semana passada, uma comissão disciplinar já havia sido instaurada para apurar as responsabilidades administrativas após notícias de pagamento indevido da Companhia Brasileira de Abastecimento (Conab) a uma empresa goiana de silos. O responsável pela liberação da verba foi Oscar Jucá Neto, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Demitido, Jucá Neto acusou o Ministério da Agricultura e o PMDB de participação e conivência com o esquema de corrupção.

 

A presidente Dilma Rousseff, que havia defendido Rossi no domingo, por intermédio de uma declaração da Secretaria de Imprensa, voltou a dizer ontem que confia no ministro da Agricultura. "Não há razão para ter qualquer questão em relação ao ministro Wagner Rossi", disse Dilma a jornalistas, logo após recepção ao primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper.

 

O ministro Gilberto Carvalho, que tentou, sem sucesso, manter Luiz Antônio Pagot à frente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), reiterou o apoio da presidente ao titular da Agricultura. Ele afastou a possibilidade de demissão do ministro do PMDB, que é apadrinhado pelo vice-presidente, Michel Temer.

 

Carvalho disse que conversou na segunda-feira com Rossi e relatou que o ministro da Agricultura está "sereno" e "tranquilo". "Ele é ministro do governo da presidente Dilma Rousseff e assim vai seguir enquanto ele avaliar que há condições para seguir", afirmou.

 

Tratamento. Com as declarações de apoio, apesar da devassa nos computadores da Agricultura realizada por um órgão afinado com o Planalto, Dilma pretende estancar a crise, preservando o PMDB - maior partido da base aliada - de ações drásticas como as impostas ao PR, o mais atingido até o momento pelas demissões ordenadas por Dilma.

 

O presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), acredita que não será encontrado nada que incrimine Rossi. "Foi o próprio ministro que pediu a atuação da CGU. Esses computadores devem ter sido recolhidos a pedido dele", disse. "Portanto, o ministro está tranquilo. Todos os que tinham alguma coisa a temer já foram afastados", avaliou Raupp.

 

No caso da Agricultura, o único afastado foi o ex-secretário executivo Milton Ortolan, que pediu demissão no fim de semana após a revista Veja publicar reportagem sobre a atuação de um lobista, Júlio Fróes, dentro do ministério.

 

De seu lado, o ministro Jorge Hage (CGU) disse que conversou com Rossi para informá-lo sobre as novas ações e o recolhimento dos computadores. Serão analisadas licitações, convênios e contratos.

 

Procedimento semelhante foi adotado após as denúncias de irregularidades envolvendo o Ministério dos Transportes, que levaram à queda de Alfredo Nascimento e à demissão de mais 27 servidores do setor.

 

De acordo com Hage, Rossi colocou-se à disposição para fornecer todas as facilidades do trabalho de auditoria. O ministro da CGU disse que não foi recolhido nenhum material do titular da Agricultura. "Não há nenhuma acusação que pese contra o ministro pessoalmente", afirmou.

 

Ética. Na segunda-feira, a Comissão de Ética Pública decidiu não investigar Rossi. Segundo o presidente da comissão, Sepúlveda Pertence, não há denúncia contra ele nas notícias divulgadas no fim de semana.

 

Em compensação, a Comissão de Ética Pública vai investigar as atividades de Ortolan. No caso de Jucá Neto, o ex-funcionário da Conab foi advertido publicamente por não ter entregue a Declaração Confidencial de Informação (DCI), uma espécie de declaração de bens exigida dos servidores públicos.

 

A Comissão de Ética também vai investigar se Pagot, após deixar o comando do Dnit, se recusará a cumprir a quarentena exigida dos funcionários públicos.

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