Favoritos do governo brasileiro, jatos franceses estão encalhados no mercado mundial

Governo suíço desistiu de caças Dassault e escolheu jatos da sueca Saab, que também concorre na licitação brasileira

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2011 | 10h36

 GENEBRA – Os jatos franceses que o governo brasileiro apontou como os favoritos para serem comprados estão encalhados no mercado mundial. Na quarta-feira, 30, o novo golpe contra Paris veio do governo suíço, que anunciou que optou por abandonar a ideia de adquirir os caças franceses da Dassault e escolheu a compra de 22 jatos da sueca Saab, que também concorre na licitação brasileira. O argumento: os caças franceses são caros demais e custariam aos cofres suíços US$ 1 bilhão a mais que o concorrente suéco.

Há uma semana, o governo dos Emirados Árabes também alertou que não optaria pelos franceses justamente por conta do valor considerado como exagerado pelos árabes.

 

No ano passado, uma avaliação do governo brasileiro indicou que os avisões Rafale, da Dassault, seriam os favoritos no processo lançado no País para a renovação de sua frota de caças. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a anunciar um acordo com os franceses, mesmo diante de relatórios técnicos da Aeronáutica indicando que o Rafale não seria o avião mais adequado e confirmando que seu preço era o mais caro. Ao assumir o poder, a presidente Dilma Rousseff indicou que iria reavaliar o processo de seleção.

 

Na quarta, os franceses sofreram mais uma decepção. A Suíça indicou que escolheu o modelo Gripen, da Saab, que custaria mais barato. Os 22 jatos tem entrega prevista a partir de 2015.

 

Berna explicou que tanto o Rafale quanto o Gripen atendiam às exigências que os militares suíços haviam estabelecidos. Mas optou pelos suécos por ser « de longe o mais barato ». Segundo o ministro da Defesa, Ueli Maurer, o custo será de 3,1 bilhões de francos suíços.

 

Outro fator que pesou foi a cooperação oferecida pelos suécos, país que não pertence a nenhuma aliança militar.

 

Apesar da decisão do governo suíço, a decisão agora terá de passar pelo Parlamento. Partidos de esquerda querem ainda lançar um referendo popular para aprovar ou não os gastos militares, em plena crise europeia.

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