Favorito à presidência da Câmara, Alves atribui denúncias a 'jogo pré-eleitoral'

Deputado é acusado de direcionar emendas de sua autoria para empresa de ex-assessor

Lucas Azevedo, O Estado de S. Paulo

15 de janeiro de 2013 | 17h41

PORTO ALEGRE - O líder do PMDB e candidato favorito à presidência da Câmara, deputado federal Henrique Eduardo Alves (RN), atribuiu nesta terça-feira, 15, ao "jogo pré-eleitoral" as denúncias que envolvem o direcionamento de emendas parlamentares de sua autoria para a empresa de um ex-assessor. A empresa do ex-assessor de Alves também recebeu repasses de dinheiro público de um órgão do governo federal controlado politicamente pelo deputado. Em Porto Alegre, o peemedebista disse que não é sua "tarefa" fiscalizar o destino dos recursos liberados por meio das emendas.

"Quem cuida são os órgãos públicos, de fiscalização. Isso eu não cuido, porque não é a minha tarefa", afirmou. "Minha tarefa é conseguir o recurso para atender aos reclames, carências e expectativas do meu Estado, e isso tenho feito bem, porque senão não teria 11 mandatos consecutivos."

Na segunda, o empresário Aluizio Dutra de Almeida, assessor de Alves, pediu demissão após o jornal Folha de S.Paulo revelar que ele é sócio da Bonacci Engenharia e Comércio Ltda, empresa favorecida pelas emendas e repasses. Pelo menos três prefeituras do Rio Grande do Norte contrataram a empresa por meio de emendas apresentadas pelo deputado peemedebista ao Orçamento Geral da União. O Departamento Nacional de Obras contra as Secas, controlado por Alves, repassou mais R$ 1,2 milhão para a Bonacci Engenharia por meio de convênios com prefeituras. Almeida é também tesoureiro do PMDB do Rio Grande do Norte, cujo presidente é o deputado peemedebista.

Alves disse que o assessor se exonerou por "lealdade", vítima de um "jogo pré-eleitoral". "Se eu for relacionar a quantidade de emendas que eu destinei ao meu Estado e ao meu município nos últimos dez anos, beira as mil. De repente, sou acusado de três emendas ali ou lá. É um negócio difícil de entender, mas, como democrata tenho que aceitar."

Na capital gaúcha, ele se encontrou com correligionários, dando início a uma série de viagens a 12 Estados, como parte de sua campanha pela presidência da Câmara. A eleição está marcada para 4 de fevereiro. Com o apoio do Palácio do Planalto, o peemedebista se tornou o favorito na disputa. Alves conta com o apoio das principais bancadas da Casa: PT, PP, PSD, DEM, PSDB e PDT.

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