Fatos devem ser apurados, diz Álvaro Dias

Constrangido, senador fez apelo a Sarney para que aceite ser julgado

João Domingos, O Estadao de S.Paulo

18 de julho de 2009 | 00h00

Embora constrangido, e com vários pedidos de desculpas, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) fez um apelo ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para que aceite ser julgado pelo Conselho de Ética e, se houver a acolhida do processo, pelo plenário do Senado, de forma insuspeita. Dias queixou-se do presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), que deixou no ar a possibilidade de rejeitar o pedido de abertura de processo contra Sarney. "Não podemos superar essa crise sem a apuração dos fatos. O que nós desejamos é que sob os escombros dessa tragédia ética que se abateu sobre o Senado se possa reconstituir uma instituição para que ela possa merecer o respeito da população do País", afirmou Dias, logo após o discurso em que Sarney prestou contas de sua administração e enumerou 40 medidas que tomou. O senador tucano estava claramente melindrado. Disse a Sarney que nunca pediu a renúncia dele da presidência. E chegou a afirmar que talvez não fosse a pessoa certa para dirigir a Sarney qualquer apelo, pois tem muita gratidão política por ele. Por isso, pediu que Sarney entendesse a situação e separasse uma coisa da outra. "Talvez eu não tenha essa autoridade de fazer apelo a V. Exª, a quem devo um pleito de gratidão porque, quando fui governador, V. Exª agiu com muita eficiência, respeito e consideração pelo meu Estado, o Estado do Paraná, atendendo todos os nossos pleitos diante das possibilidades daquele momento", afirmou Dias. Sarney respondeu com ironia. "Não esqueço nunca a consideração que lhe devo. Quando V. Exª quis fazer um partido, foi ao Maranhão, não somente ao Maranhão, mas até um local em que eu me encontrava recolhido, para me fazer um convite para ingressar no Partido que V. Exª estava fundando."

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