Beto Barata/PR
Beto Barata/PR

'Fatos acabaram mostrando que eu tinha razão', disse Temer sobre Miller

Após ser denunciado por corrupção passiva pela PGR, em junho, o presidente levantou suspeitas sobre o procurador-geral e o ex-procurador

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2017 | 14h12

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer afirmou nesta quarta-feira, 6, que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ficou "enfraquecido" após a revelação de que o empresário Joesley Batista, da JBS, e executivos da empresa omitiram informações sobre crimes nos acordos de delação premiada. 

“Ele disse para nós: ‘Afinal, os fatos acabaram mostrando que eu tinha razão' ”, contou o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, um dos auxiliares que se reuniram com o presidente nesta manhã.

Temer fez a afirmação em conversa com ministros do núcleo político, após chegar nesta manhã da viagem à China, onde permaneceu por uma semana. O presidente se referia à descoberta de gravações que sugerem conduta criminosa do então procurador Marcelo Miller na delação da JBS e podem acabar anulando o acordo feito com a Lava Jato.

Miller era braço direito de Janot. Pediu exoneração em fevereiro para trabalhar como sócio no escritório Trench, Rossi e Watanabe, contratado para fazer o acordo de leniência da J&F, mas só deixou efetivamente o cargo em abril. 

Em junho, ao ser denunciado pelo crime de corrupção passiva pela Procuradoria-Geral da República, Temer levantou suspeitas sobre a ligação entre Miller e Janot. À época, o presidente disse que o ex-procurador “ganhou milhões” em poucos meses. “Garantiu ao seu novo patrão (Joesley) um acordo benevolente, uma delação que o tira das garras de Justiça, que gera uma impunidade nunca antes vista”, afirmou Temer, em pronunciamento no dia 27 de junho.

Em nota divulgada ontem, Miller disse que não cometeu qualquer crime ou ato de improbidade administrativa e repudiou o que chamou de “conteúdo fantasioso” das menções a seu nome. Afirmou nunca ter recebido “dinheiro ou vantagem pessoal da J&F ou de qualquer outra empresa”. Assegurou, ainda, que não mantinha qualquer comunicação com Janot desde outubro de 2016, com exceção do dia 23 de fevereiro, quando pediu exoneração do cargo.

Nova denúncia. Na avaliação do Palácio do Planalto, a nova denúncia contra Temer -- que deve ser apresentada por Janot, nos próximos dias, por obstrução da Justiça e organização criminosa -- perdeu sentido diante da "fragilidade" do procurador-geral. No dia 2 de agosto, o plenário da Câmara barrou o prosseguimento da primeira acusação contra o presidente. Janot deixará o posto no próximo dia 17.

Ao ser questionado nesta quarta-feira se o governo conseguiria aprovar a reforma da Previdência ainda neste ano, apesar da crise, Padilha respondeu que sim. “O governo é forte. Governo é governo”, disse ele, ao acrescentar que o debate sobre mudanças na aposentadoria será retomado tão logo seja encerrado o capítulo da reforma política. 

O ministro da Casa Civil não quis comentar o fato de a Polícia Federal ter encontrado malas de dinheiro, com R$ 51 milhões, em apartamento usado pelo ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima, em Salvador. "São questões pessoais que não cabe a nós responder. Cada um responde por si", afirmou Padilha.

 

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