Fator Dilma aproxima os governadores tucanos

Serra é ''o primeiro da fila'', mas um eventual confronto com Lula valoriza a relação com governador de Minas

Rui Nogueira, O Estadao de S.Paulo

21 de maio de 2009 | 00h00

O tratamento da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) contra um câncer e a possibilidade de o prolongado período de quimioterapia comprometer a candidatura dela estão mexendo, também, com a estratégia dos tucanos para disputar em 2010 a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Boa parte do comando do PSDB e do aliado mais próximo, o DEM, acredita piamente que, na impossibilidade de a ministra Dilma sair candidata, o PT vai botar na rua os movimentos sociais e mobilizar a base aliada partidária para impor a Lula a "alternativa única", a da rerreeleição na disputa pelo terceiro mandato.A boa relação entre os dois governadores tucanos, José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas), que o noticiário registra de março para cá, tem a ver com o interesse de ambos em "ir conversando" e com a "costura operária" que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vem promovendo. Tem a ver, ainda, com a situação da pré-candidata Dilma.Nem Aécio bateu o martelo sobre ser vice de Serra nem Serra disse ao comando do partido, apesar do desejo explícito, que quer mesmo ser o candidato à sucessão presidencial. Serra, Aécio, FHC e companhia tucana ilimitada só fecharam em um ponto: de que os dois governadores têm de continuar a conversar, sem intermediários, e a se comportar como dois trunfos que a oposição tem para contrapor ao eventual confronto com ninguém menos que Luiz Inácio Lula da Silva. O pacto que existe até agora vai nesta linha: Serra é indiscutivelmente "o primeiro da fila" das preferências tucanas, mas os dois farão o que for melhor para a oposição em 2010 - aqui entra o DEM, via Jorge Bornhausen, avalizando a ideia de que, se for necessário montar uma chapa "puro-sangue" de tucanos, os democratas apoiam a solução."Pela regra da fila e das preferências óbvias", disse ao Estado um tucano do comando do partido, "o PSDB só ainda não fechou o nome do candidato porque Serra não forçou essa definição". E, diante da situação da pré-candidatura Dilma, acrescentou a fonte, os dois governadores passaram a se relacionar como "instrumentos a não desperdiçar até o momento da decisão final". Eles vão cultivar essa cordialidade e torná-la pública sempre que possível - em junho farão uma participação conjunta em um seminário sobre agronegócio.A candidatura Dilma mexe tanto como o "mercado político" que, no Congresso, a base governista até pôs a circular a versão de que, tal como a ministra, Serra também enfrentaria "sérios problemas de saúde". Trata-se da exploração eleitoral de duas intervenções cirúrgicas banais, em 1986 e em 2006. A primeira foi uma operação de vesícula e para corrigir uma hérnia de hiato. Dez anos depois, um dos pontos da cirurgia da hérnia abriu e o governador fez a correção do procedimento no Sírio Libanês.No momento, os problemas na oposição, para além do enorme cacife popular de Lula, são de outra natureza: administrar um descontentamento do DEM com a ideia de que o PSDB precisa do PMDB, mesmo que seja só um pedaço dele, para disputar 2010. Na visão dos "demos", pela situação crítica da candidatura Dilma, quanto mais o PMDB exigir do Planalto, mais os peemedebistas vão levar. "Dificilmente o Planalto não leva a fatia maior do PMDB. Ainda mais se o candidato for Lula", avaliou um líder do DEM.

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