''Fator Ciro'' abre crise no PT de São Paulo

Direção estadual convoca reunião emergencial para debater articulação

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2009 | 00h00

A possibilidade de o PT apoiar uma candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo paulista em 2010 se transformou no estopim de uma crise interna no partido. Lançado como balão de ensaio, mas cada vez mais visto como uma alternativa real, o "fator Ciro" já provoca gritaria no PT paulista. Incomodada com o fato de as articulações correrem soltas em Brasília, a direção partidária no Estado foi a primeira a reagir. Convocou para segunda-feira uma reunião de emergência da Executiva Estadual para tratar do tema e, assim, tomar parte nas discussões. Enquanto isso, setores contrários ao acordo já resgatam uma resolução datada de abril, que prega a candidatura própria. Na época, o texto pretendia enquadrar petistas que buscavam a aproximação com o PDT e acenavam com a chance de apoio ao prefeito de Campinas, Dr. Hélio.Sob risco de perder espaço na disputa, o time de Emidio de Souza, prefeito de Osasco e pré-candidato, engrossou o coro com o discurso de que não tem cabimento o PT abrir mão da vaga para apoiar um político que fez carreira no Ceará.As queixas não impediram líderes do PT de se manifestar a favor da negociação. Ontem, foi a vez do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Em seu blog, ele afirmou que o momento é de buscar "alianças e alternativas", seja com uma candidatura conjunta com o bloco PSB-PDT-PC do B ou com múltiplas candidaturas das siglas de oposição ao governador José Serra (PSDB). "Não devemos descartar nada. Nem a candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), nem a do Dr. Hélio."Alimentada por pesquisas internas, a tese da candidatura de Ciro empolgou rapidamente o PSB, que ganhou uma moeda de troca na negociação para 2010. "Não vejo razão para usarmos nomes fracos na eleição em São Paulo se há na base aliada um nome forte", disse o presidente do partido, deputado Márcio França (SP).Segundo dirigentes do PSB, Ciro teve 18% das intenções de voto em uma pesquisa recente. Um levantamento petista, por outro lado, mostrou o deputado Antonio Palocci (PT-SP) na faixa de 2% a 4%. Favorito na sigla, Palocci tem vetado as articulações em torno de seu nome antes que o Supremo Tribunal Federal (STF) se posicione sobre a quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa.Ontem, o presidente do PT em São Paulo, Edinho Silva, amenizava: "Há uma resolução pela candidatura própria. Mas, se outros líderes do partido têm posição diferente, estamos abertos à discussão. O importante é que isso ocorra nas instâncias partidárias". Na direção nacional, o presidente Ricardo Berzoini (SP) elogiou Ciro. Mas negou que haja uma discussão formal sobre o tema no PT.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.