Fatia do PMDB no governo ''é exagerada'', critica Aécio

Para ele, não se pode submeter Planalto a ?ditadura? de partidos nem entregar poder à ?companheirada?

Ângela Lacerda, O Estadao de S.Paulo

15 de agosto de 2009 | 00h00

"É exagerada a presença do PMDB hoje no governo." A avaliação foi feita ontem pelo governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), postulante à indicação de candidato tucano à presidência, em entrevista coletiva no Recife. Ele considera "muito difícil" se governar sem o PMDB, mas defendeu que "não se pode submeter o governo a uma ditadura de qualquer partido, qualquer que seja ele". "É preciso se reverter a lógica de que o País deve estar a serviço de um partido político.Da mesma forma que é difícil se governar sem o PMDB, não é apenas o PMDB que governa o País", disse o governador mineiro, que criticou o loteamento de cargos em Brasília para atender aliados e companheiros do partido. "O governo não pode ser ocupado pela companheirada. É preciso qualificação na vida pública, é preciso indicar pessoas qualificadas, ter meta de desempenho para os servidores e também para os ministros", afirmou ao citar o exemplo de Minas, onde reduziu o número de secretarias de 23 para 15. "O governo Lula tem 39 ministérios, muitos dos quais só para acomodação de aliados e companheiros do partido", disse. Ao pregar que o novo governo tem que estabelecer "um novo padrão nas relações partidárias", ele disse ser possível, "quando se assume o governo com autoridade e apoio popular", buscar no PMDB quadros qualificados. O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), que acompanhou Aécio, reconheceu que não se governa o País sem o PMDB - que tem mais de mil prefeitos, nove governadores e 89 deputados federais. Ele negou, no entanto, que os embates travados no Senado sejam uma briga entre PSDB e PMDB - o que poderia ter repercussão negativa para uma candidatura tucana à presidência da República. "A questão é do Senado, não é de um partido ou de outro", afirmou. O problema, segundo ele, "é um quadro de atraso que permanece lá no Senado", afirmou Guerra. FATOR MARINAA provável candidatura à presidência da senadora Marina Silva pelo PV é encarada por Aécio como positiva. De acordo com ele, Marina vai elevar o nível do debate e obrigar os outros candidatos a priorizarem a questão ambiental e a sustentabilidade econômica. A candidatura da senadora, segundo ele, deve preocupar muito mais o núcleo do governo - que ela critica - do que a oposição. Aécio também considera positivo a presença de mulheres na disputa presidencial, mas é de opinião que a decisão do eleitor não se dará pelo gênero. Na agenda cumprida no Estado, Aécio Neves almoçou com políticos do PMDB - representado pelo deputado federal Raul Henry, ligado ao senador Jarbas Vasconcelos - DEM, PPS e PV. O deputado federal Fernando Gabeira (PV), que estava no Recife para outro compromisso, encontrou-se com Aécio durante o almoço. Aécio também visitou o governador Eduardo Campos (PSB), no Palácio do Campo das Princesas. O partido de Campos é parceiro do governo mineiro.

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