Farpas e elogios no debate entre Olívio e Tarso

Em clima de guerra de torcidas, com mais de mil pessoas lotando o auditório da Assembléia Legislativa e alternando gritos de apoio com o ensaio de algumas vaias, os pré-candidatos do PT ao governo do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra e Tarso Genro, fizeram nesta quarta-feira o primeiro dos cinco debates que vão anteceder a prévia de 17 de março.Ambos confirmaram repudiar uma eventual aliança do partido com o PL, trocaram algumas farpas, mas insistiram em que o inimigo a derrotar é o neoliberalismo. Tarso defendeu uma postura mais agressiva do governo petista para tornar o Rio Grande do Sul uma referência e um pólo de irradiação das idéias da esquerda para a América Latina e o mundo.Olívio disse que já faz isso em seus contatos com governantes latino-americanos e no Fórum Social Mundial, um evento acolhido por seu governo. Para Tarso, o Rio Grande do Sul deve assumir, em escala mundial, o papel de articulador de políticas econômicas, sociais e de solidariedade alternativas ao neoliberalismo e à Área de Livre Comércio das Américas (Alca). ?Devemos ser o bastião da resistência à desordem econômica vigente?, discursou.O prefeito de Porto Alegre também entende que cabe ao Rio Grande do Sul liderar os Estados que se opõem à atual política econômica federal. Tarso criticou o recuo de Olívio, que, no início do seu governo, ameaçou não pagar a dívida com a União e depois submeteu-se ao que estava acordado pelo seu antecessor.A renegociação, que considera necessária, deve, segundo o pré-candidato, alongar os prazos e deixar de sufocar os Estados. Em resposta, Olívio disse que resistiu às pressões de Brasília para vender o Banrisul e evitou a elevação do comprometimento da receita com o pagamento da dívida com a União de 13% para 18%. ?Além disso, não nos submetemos à chantagem da Ford?, complementou, referindo-se à empresa que desistiu de implantar uma fábrica no Estado ao perceber que os incentivos oferecidos pelo ex-governador Antônio Britto não seriam repassados.A segurança pública foi tema das perguntas feitas pelos militantes. Tarso disse que a direita se preocupa apenas com a criminalidade comum e defendeu mecanismos que reprimam também o tráfico de drogas e de armas, os escândalos em privatizações, o contrabando e o deslocamento ilegal de dinheiro para paraísos fiscais.Olívio, que foi acossado pela CPI da Segurança Pública durante seu governo, relatou iniciativas que estariam combatendo a corrupção dentro da polícia, como o afastamento de 240 funcionários. Em defesa de sua pré-candidatura, Tarso prometeu que seu governo terá a pluralidade interna que teria deixado diversas correntes insatisfeitas na gestão de Olívio.O governador lembrou que Tarso só não foi seu vice porque não quis. O prefeito preferiu dizer que a participação deve ser de idéias e não o loteamento de cargos entre pessoas. Mas ao admitir que ?todos cometem erros, às vezes grosseiros?, ouviu algumas vaias vindas do lado do auditório onde estavam acomodados os olivistas, que consideraram a frase um mea culpa público para a acusação de stalinistas dirigida a partidários do governador ao final do Fórum Social Mundial.Em alguns momentos do debate, Olívio também atacou. Ao falar das relações com o governo federal, destacou que o resgate do pacto federativo é missão política e não de advogados ? profissão de Tarso.Em meio ao debate também houve espaço para os elogios. ?Não estamos aqui para dizer que Olívio é incapaz. Se ele for o eleito, certamente fará seu trabalho muito bem?, comentou Tarso, fazendo com que a platéia, pela única vez, cantasse junto o mesmo refrão, dizendo que ?o partido é dos trabalhadores?.

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