Farmácias vão produzir guloseimas terapêuticas

Que tal bala de goma com hormônios ou pirulito com analgésico? Essas novas apresentações para antigos e novos medicamentos prometem revolucionar o mercado brasileiro. Dentro de 60 dias, as farmácias de manipulação brasileiras deverão oferecer a novidade aos consumidores de todas as idades, fazendo a festa das crianças e o alívio das mães que não conseguem medicar os filhos com as apresentações normais.O investimento individual das farmácias será em torno de R$ 3 mil, valor considerado baixo. Porém, se todas as 5.200 farmácias do gênero investirem na compra de moldes, o movimento inicial na economia será de R$ 15,6 milhões. O montante será suficiente para a compra dos moldes das guloseimas e para o treinamento dos funcionários das farmácias.Sob medida"É a roupa sob medida para o paciente, porém mais do que nunca, esses medicamentos terão que ficar fora do alcance das crianças", alerta o vice-presidente Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), Marco Perino. As guloseimas, com sabores de frutas, disfarçarão o gosto do medicamento. A técnica foi desenvolvida há cinco anos nos Estados Unidos e hoje é um sucesso, afirma o executivo da Anfarmag. "No Brasil, o nicho de mercado é enorme e será atendido apenas pelas farmácias de manipulação."As guloseimas terapêuticas só poderão ser encomendadas às farmácias de manipulação com receita médica. E poderão ser feitas com analgésicos, antifúngicos ou antimicóticos, hormônios, drogas contra infecções e até morfina. Sais minerais para reidratação de pessoas acometidas por diarréia poderão ser obtidos na forma de pirulitos. Marco Perino lembra que esse tipo de produto geralmente tem gosto desagradável para as crianças.Mais caroSegundo ele, os medicamentos nas formas de pirulitos, balas e picolés custarão 20% a mais do que nas apresentações convencionais (emulsões, comprimidos, cápsulas e pó). "A vantagem é que o paciente poderá comprar apenas a dose certa recomendada pelo médico", diz Perino. Além disso, diz, o produto em contato direto com a mucosa da boca tem a ação potencializada.Ele refere-se ao fato de que, geralmente, o medicamento comprado no varejo farmacêutico convencional raramente vem com o número de comprimidos suficiente para curar a doença. O excesso de drogas na embalagem acaba tendo um custo até maior do que o do remédio encomendado às farmácias de manipulação.NicotinaNos Estados Unidos, a mania de chupar pirulito com nicotina está fazendo a cabeça dos dependentes químicos que querem deixar o vício. No Brasil, afirma Perino, o salicilicato de nicotina ainda não foi registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde.O princípio ativo poderá ser importado dos Estados Unidos ou da Europa, porém somente após a concessão do registro da Anvisa, processo que pode demandar de três meses a um ano. "Acredito que o produto não interessou a ninguém, ainda, porque não havia mercado para isso no Brasil", afirma Marco Perino.Com o aumento da pressão da sociedade de não fumantes sobre os viciados é possível que os pirulitos de nicotina venham a fazer sucesso no País. A forma de pirulito ajuda: enquanto o doce pode ser chupado (função feita com o cigarro), repondo a nicotina, o cabo da guloseima simula o próprio cigarro entre os dedos, diz o vice-presidente da Anfarmag.

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