Famílias são excluídas do Fome Zero por irregularidades

O alerta veio da região mais pobre do Brasil. Cerca de 14% das primeiras 42 mil famílias beneficiadas pelo Programa Fome Zero no sertão nordestino e norte de Minas Gerais foram excluídas do cadastro por irregularidades, a partir de denúncias dos comitês locais dos 87 municípios priorizados pelo projeto. O índice de cancelamento de cartão alimentação deixou o governo alarmado. Para prevenir e evitar desvios de recursos, o Ministério de Segurança Alimentar está iniciando amanhã uma pesquisa qualitativa por amostragem em seis cidades do Piauí e do Rio Grande do Norte. Segundo informou o ministro de Segurança Alimentar, José Graziano, semana passada os cartões que foram cancelados estão em nome de pessoas "indevidamente incluídas" no programa, "por parentesco, favorecimento ou oportunismo". Muitos dos excluídos do cadastro são ainda funcionários da prefeitura. Na pesquisa, as famílias terão de responder, por exemplo, quantas vezes se alimentam e o que comem. Até dezembro, estudantes universitários voltarão às casas sorteadas para coletar sangue e medir a altura e peso de crianças.Inspirada numa avaliação similar do governo norte-americano, a pesquisa para aferir o resultado do Fome Zero foi desenvolvida pela professora Ana Segall, da Universidade de Campinas (Unicamp). O levantamento piloto atingirá um total de 300 famílias residentes em Acauã, Jacobina e Valença, no Piauí, e Ouro Branco, Santana do Cerrado e São João do Potengi, no Rio Grande do Norte. Valença e Santana só começam a receber o cartão alimentação nos próximos meses. "A pesquisa servirá para saber se estamos pagando a quem não devemos", afirmou o diretor de avaliação do programa, Mauro Del Grossi. "A idéia é envolver as universidades nesse trabalho de monitoramento e de prestação de contas à sociedade."O questionário que será aplicado nos sertões potiguar e piauiense, nesta semana, tem por objetivo fazer um retrato, na perspectiva dos entrevistados, da situação social das famílias. Os beneficiados ainda darão sua opinião sobre a estrutura do programa nos municípios. Participarão das pesquisas alunos de pós-graduação das federais do Piauí e do Rio Grande do Norte. Após a tabulação dos dados, o governo pretende realizar uma avaliação antropométrica, para avaliar o grau de nutrientes e micronutrientes no organismo dos beneficiados. Os exames serão coordenados pelo Ministério da Saúde.

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