Família Herzog refuta defesa do governo à OEA

O engenheiro Ivo Herzog disse ontem, em São Paulo, que considera "inaceitável" e "afrontosa" a resposta enviada pelo governo brasileiro à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização de Estados Americanos (OEA), no caso da denúncia que envolve a morte de seu pai, o jornalista Vladimir Herzog. Vlado morreu nas dependências do Exército em São Paulo, em 1975, após ter se apresentado para prestar esclarecimentos sobre suas atividades políticas. Na versão oficial, ele havia cometido suicídio. Segundo familiares, amigos e organizações de direitos humanos, foi torturado e executado.

ROLDÃO ARRUDA, Agência Estado

22 de junho de 2012 | 09h21

Procurado, o Itamaraty informou que serviu apenas de intermediário e que o texto foi elaborado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos.

A notificação da CIDH chegou ao governo em maio. Ela fala em prisão arbitrária, execução sumária e ausência de investigação. O texto entregue pelo Itamaraty, de 47 páginas, invoca a Lei da Anistia de 1979 e afirma que a lei beneficiou também os agentes de Estado acusados de violações de direitos humanos no período da ditadura militar. Isso, segundo o documento, torna impossível a abertura de processo para apontar responsabilidades.

Não foi esse argumento, porém, o que mais irritou Ivo Herzog. Ele mostrou indignação com o fato de o governo ter arrolado, em defesa do Estado, o apoio que tem dado ao Instituto Vladimir Herzog, presidido pelo próprio Ivo. "Considero isso afrontoso, um desrespeito, uma tentativa de desqualificação da sociedade civil", afirmou. "O instituto surgiu da iniciativa de amigos, com o apoio de empresas privadas e públicas, para celebrar a vida do meu pai e contar a verdadeira história do que ocorreu naqueles anos."

Segundo Herzog, os familiares querem "um pedido oficial de desculpas e o reconhecimento, em novo atestado de óbito, de que ele não se suicidou", diz. Há 37 anos esperamos por isso." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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