Família do Mato Grosso é refém de índios

Quinze pessoas de uma mesma família estão como reféns de 180 índios da nação indígena terena. Elas não podem deixar a sede da Fazenda Buriti desde o início da tarde de ontem, quando o local foi invadido pelos silvícolas. A propriedade rural fica no município de Dois Irmãos do Buriti, a 120 quilômetros de Campo Grande, na região oeste de Mato Grosso do Sul. Os invasores chegaram ao local armados com arco flechas, facões e foices, gritando em coro "a terra é nossa" e armaram barracas afirmando que permanecerão no local até uma solução favorável a eles, por parte do Governo federal. A área já foi delimitada por estudo antropológico encomendado pela Fundação Nacional do Índio (Funai), porém não houve demarcação. Existe questão judicial entre os donos das fazendas onde ficaria a área da reserva e a Funai. A Polícia Federal foi informada hoje, segundo o comandante do destacamento da PM, sargento José Arguelho Anastácio. Ele disse que orientou os donos da área a registrarem queixa na Polícia Civil. Não houve violência física durante a invasão, segundo o comandante do destacamento da PM. Ele contou que esteve no local, conversou com os índios e acabou conseguindo com que entregassem todas as foices e facões. "Eles ficaram com as armas artesanais", citou o militar. Fazendas da área são reivindicadas como sendo terras indígenas. No fim de 2001, um laudo antropológico traçou a história da aldeia e delimitou o território que teria pertencido a antepassados dos terena. Nunca houve definição final em relação às terras. Há litígio entre fazendeiros e a Funai.

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