Família do líder de revolta em 1910 será indenizada

O Congresso deu nesta quinta-feira mais um passo para reconhecer, 93 anos depois, a anistia e indenização para a família do marinheiro João Cândido Felisberto, líder da chamada Revolta das Chibatas, ocorrida no Rio, em 1910. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, em comum acordo com o governo, praticamente decidiu que a família de Felisberto receberá uma indenização da União. "A Justiça ao marinheiro será feita", afirmou o presidente da CCJ, Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP).Segundo Greenhalgh, a Câmara também deverá estipular o valor da indenização, baseando-se no período em que Felisberto teria passado na Marinha. O marinheiro liderou, no início do século passado, um movimento contra a punição aplicada pelos oficiais, que surravam os marinheiros com chibatas. Felisberto foi anistiado pelo então presidente Hermes da Fonseca, mas, pouco depois, foi desligado da Marinha.Na sessão de ontem, a CCJ analisou o caso do marinheiro, mas a proposta foi retirada de pauta para modificar o texto original do Senado. "Só queremos fazer as adaptações jurídicas e legislativas", disse o presidente da comissão. O processo de anistia do marinheiro foi relatado pelo senador Ruy Barbosa, em 1912, mas, apesar de ter sido publicado, Felisberto nunca recebeu a indenização ou reconhecimento. Desligado da Marinha, ele tornou-se pescador, profissão que exerceu por 40 anos, até pouco antes da morte, em 1969, aos 89 anos.

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