Família de seqüestrador quer esclarecer declarações

A família do seqüestrador Fernando Dutra Pinto deverá fazer um pronunciamento ainda hoje, manifestando solidariedade às famílias dos dois policiais civis que foram assassinados no flat de Alphaville. De acordo com um porta-voz da família, a decisão foi tomada por temor de que as manifestações do pai de Fernando, de solidariedade ao filho no dia da invasão da casa de Silvio Santos, quando disse que ele foi um vitorioso e que estava sendo protegido por Deus, possam causar uma impressão errada dos preceitos da igreja evangélica.O porta-voz, que se apresentou como Waldemar Francisco e que pertence a Igreja Batista, disse que o Deus dos evangélicos não protege quem pratica crimes e quem mata. "O pai, no momento da emoção, se pronunciou em defesa dos filhos", disse o porta-voz, "mas isso não significa dizer que o nosso Deus deixou de proteger as vítimas. Dizer isso seria uma distorção, uma carência teológica".O pai, Antonio Dutra, disse que recorreu ao porta-voz, que teria conhecido em cultos religiosos, porque não estaria conseguindo se expressar de modo adequado diante dos acontecimentos. Ele não quis fazer nenhum comentário a respeito das informações de que a polícia estaria investigando como conseguiu recursos para comprar o sobrado em que vive, na zona leste. Ele mudou-se para o local há três meses e teria pago um valor estimado entre R$ 60 e R$ 90 mil pelo imóvel."Falar sobre isso é desviar o enfoque da questão principal", disse o porta-voz. Ainda segundo o representante da família, as mudanças de comportamento em Fernando teriam começado a se manifestar de forma mais acentuada há quatro anos. A família teria feito várias advertências sem resultados. As coisas pioraram porque "a bíblia diz que um abismo chama outro abismo".

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