Amanda Perobelli / Reuters
Amanda Perobelli / Reuters

Família de Marielle entrega carta a STJ e critica federalização do caso

Parentes de vereadora assassinada em março do ano passado dizem que mudança poderia ser 'retrocesso' da investigação

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2019 | 22h27

RIO – Em carta entregue ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), a família da vereadora Marielle Franco se posicionou contra a federalização das investigações sobre a morte da vereadora, como defendeu nesta quinta-feira o ministro da Justiça, Sérgio Moro

“Reafirmamos por meio desta carta o nosso desejo de que as investigações sobre esse crime brutal não sejam federalizadas e que permaneçam sob a responsabilidade da Polícia Civil e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro”, sustenta o documento assinado pelos pais de Marielle, Marinete e Antonio, pela irmã da vereadora, Anielle Barboza, por sua filha Luyara, e por sua viúva Mônica Benício.

Ainda segundo a carta, as equipes da Delegacia de Homicídios e do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) obtiveram avanços importantes na apuração da execução como a prisão dos dois supostos assassinos Ronnie Lessa e Élcio Queiroz. “A transferência das investigações para a Polícia Federal e o Ministério Público Federal representarão um retrocesso para a elucidação do crime.”

Pessoas ligadas à vereadora também se posicionaram pelas redes sociais contra a federalização da investigação.

“Depois de passar mais de 600 dias em silêncio sobre o assassinato, de uma hora para outra ele (Sérgio Moro) resolveu entrar com tudo na história. Por que será?”, publicou o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL). “Não queremos uma investigação da Polícia Federal comandada por Moro ou do Ministério Público Federal comandado por (Augusto) Aras. Esse deslocamento de competência não tem nosso apoio.”

A viúva de Marielle, Mônica Benício, foi ainda mais explícita em seu Twitter. “Sou contra a federalização porque uma das linhas da investigação envolve um filho de Jair Bolsonaro, o que, obviamente, colocaria a PF sob suspeição”, escreveu. “Como, aliás, está o ministro (Sérgio Moro) por ter julgado um candidato e logo depois aceitar um cargo no governo de seu concorrente.”

Nesta quarta-feira, o Estado mostrou que os investigadores voltaram a ouvir depoimentos de assessores do gabinete do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, para entender melhor qual era a relação entre os dois. 

A irmã de Marielle, Anielle Barboza, também reclamou no Twitter. “Sérgio Moro nunca se interessou pelo caso da minha irmã”, escreveu. “Mas agora, milagrosamente, fortemente, fielmente, ele apoia a federalização!. Eu conto ou vocês contam que não somos bobos e não queremos que ele se meta? Estamos de olho, Moro!”

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