Família de assassino de portugueses sofre ameaças

A família do Luís Miguel Militão Guerreiro - que confessou ter participado no assassinato dos seis empresários portugueses em Fortaleza - está recebendo ameaças na cidade do Montijo, em Portugal. "Nós sabemos nos defender. Não temos culpa de nada", afirmou à Agência Estado a irmã de Luís Miguel, Sandra Guerreiro. Depois de terem passado o último fim de semana aparecendo em todas as televisões e rádios portugueses, a família de Luís Miguel deixou de dar declarações, após a confissão do crime. "Estamos completamente fechados para jornalistas. Não vou dizer mais nada". O pai de Luís Miguel, Carlos Guerreiro, na sexta e no sábado falava que era impossível o filho ter cometido o crime. Após as declarações de Luís Miguel admitindo os assassinatos, disse que não ia mais ao Brasil visitar o filho, nem contratar advogado, pedindo a pena capital para o crime. O cônsul de Portugal no Brasil deu orientação para que não fosse a Fortaleza, não contratasse advogado e que o filho estaria passando bem. Segundo uma vizinha, que não quis ser identificada, Carlos Guerreiro, a mulher e a filha vivem na parte nova da cidade do Montijo - na margem sul do rio Tejo, do outro lado de Lisboa. "Eles são uma família humilde, cumprimentam todo mundo. Só os conheço de dizer bom dia, boa tarde ou boa noite, quando vou tomar um café ou comprar pão". PresídiosCaso seja condenado, Luís Miguel poderá cumprir a maior parte da pena em Portugal. Este será o resultado do Tratado para a Transferência de Presos, que será assinado na próxima semana, durante a viagem do primeiro-ministro português, Antônio Guterres ao Brasil, na reunião de cúpula anual com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo o tratado, os presos portugueses no Brasil e brasileiros em Portugal poderão pedir para cumprirem as suas penas no país de origem. A justificativa é que os presos, estando mais próximos dos seus parentes e do seu meio, terão maior facilidade de reencontrar seu lugar na sociedade. O acordo já está em vigor entre os 15 países da União Européia. Mesmo assinado na próxima semana, a aplicação do tratado não será imediata. Levará pelo menos seis meses para ser ratificado pelos parlamentos dos dois países. Segundo a embaixada do Brasil em Lisboa, os ministérios da Justiça dos dois países ainda estão negociando detalhes. Na prática, a vantagem com o acordo é para os portugueses, porque a maior parte dos presídios de Portugal sofrem menos de superlotação do que os brasileiros. A grande exceção é a Cadeia da Relação, no Porto, já denunciada pela situação de direitos humanos, em que quase 90% dos presos são viciados em drogas e grande parte está contaminada com HIV por troca de seringas. A prisão considerada com melhores condições é a de Pinheiro da Cruz, em que os condenados podem trabalhar no campo. Por dois anos seguidos, chegou a ganhar o prêmio de melhor vinho do Alentejo, até que os produtores alentejanos expulsaram a região de Pinheiro da Cruz da sua área vinícola.

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