Faltam santinhos e campanha nas 'casas de Marina'

Comitês residenciais ainda aguardam material; em Guarulhos, banner tem o nome de Campos

ISADORA PERON, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2014 | 02h05

A ideia de reeditar as "Casas de Marina", pequenos comitês residenciais usados por Marina Silva nas eleições de 2010, ainda não deslanchou este ano. A dona da casa que a candidata do PSB à Presidência visitou na semana passada, por exemplo, ainda não recebeu os materiais de campanha e, por isso, não começou a mobilização na vizinhança.

A cabeleireira Cleide Alves da Silva, que mora num bairro na periferia de Guarulhos, na Grande São Paulo, disse ao Estado que a equipe de Marina prometeu que os cartazes, panfletos e adesivos chegariam até o fim dessa semana, mas até agora nada. O banner pendurado - dentro de casa, não na fachada - ainda traz o nome do antigo cabeça de chapa, Eduardo Campos, morto no mês passado em um acidente aéreo em Santos.

A estratégia de incentivar a mobilização por meio de comitês voluntários este ano deu mais dor de cabeça do que alegria para a campanha. Em julho, Marina passou por uma saia-justa ao visitar uma dessas casas em Osasco, na região metropolitana de São Paulo, pois o proprietário do imóvel deu a entender que gostaria de receber um retorno financeiro por ceder o espaço. Ao ser questionado por que decidira apoiar os candidatos do PSB, Edivaldo Manoel Sevino fez um gesto com a mão e disse que esperava "receber unzinho".

Na época, Marina ainda era vice na chapa, mas se disse surpresa com a declaração do apoiador. Para evitar um constrangimento parecido, a campanha montou um esquema bem mais profissional na semana passada, ao visitar Cleide.

Ao falar com repórteres, a cabeleireira fez questão de frisar que não estava recebendo nada pela iniciativa. Nesta semana, quando a reportagem foi novamente ao local, Cleide repetiu o discurso de que havia cedido a casa porque acreditava nas ideias de Marina.

"Eu quero fazer a minha parte. Se eu tivesse mais tempo, faria mais", afirmou. Cleide disse também que ficou muito feliz com a visita de Marina e que aquela era a primeira vez que um candidato à Presidência visitava o bairro.

"Ela (Marina) é uma pessoa sofrida, que veio de baixo, gente como a gente. Eu acredito que, acima de tudo, Deus é do lado dela", disse.

Atraso. Segundo a campanha, cerca de 1,2 mil pessoas se cadastraram no site para transformarem as suas casas em comitês residenciais. O coordenador de mobilização, Pedro Ivo, diz que os materiais serão enviados para os voluntários na próxima semana. O processo está atrasado, explica, porque, com a morte de Campos, foi preciso refazer todo o material com os nomes da nova chapa.

O coordenador defende a iniciativa e diz que ainda dá tempo de ela surtir efeito até o fim das eleições, especialmente com a possibilidade de Marina ir para o 2.º turno. Em 2010, cerca de 2,5 mil eleitores participaram da campanha voluntária.

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