Faltam professores de Economia na UFF

Dezesseis turmas da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense correm o risco de começar o segundo semestre letivo sem professores. Os profissionais dessas cadeiras tinham contratos de professor substituto, válido por 48 meses, já vencidos. O chefe de departamento, Aírton Queiroz, já solicitou a contratação de novos professores, mas foi informado de que ainda não há autorização do Ministério da Educação (MEC). "A situação é muito séria. Se não houver professores vou ter de cancelar as turmas, o que só vai agravar o problema no próximo semestre", disse. A Economia tem 102 turmas, e fornece crédito para outras carreiras. Alunos que hoje faziam a matrícula eram avisados de que as matérias na qual estavam se inscrevendo poderiam ser canceladas. No fim do último semestre, os contratos de cinco professores substitutos venceram, e outros três professores demitiram-se. "Pedi substitutos para eles. Há candidatos aprovados no concurso de abril, que ainda não foram chamados, mas o reitor (Cícero Mauro Fialho Rodrigues) tem 38 solicitações semelhantes à minha", disse Queiroz. Em 1985, a Faculdade de Economia tinha 60 docentes; somente três eram substitutos, para 1.400 alunos. Hoje, são 2.100 estudantes e 40 professores - 13 deles substitutos. A crise levou o conselho universitário a discutir a redução do número de vagas oferecidas todos os anos no vestibular, mas a hipótese foi temporariamente descartada. "Somos o curso de Economia que mais oferece vagas anualmente no País. São 240", diz Queiroz. Entre os ex-professores do curso estão a economista Maria da Conceição Tavares e o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera. O reitor Cícero Mauro Fialho Rodrigues disse que a situação da Economia não é das mais preocupantes. Segundo ele, um terço do quadro do curso de Estatística é formado por professores substitutos. "Temos 350 aposentadorias que não foram repostas. O MEC autorizou o concurso para a contratação de 88 professores efetivos, o que vai reduzir o problema", afirmou o reitor. A assessoria do MEC, em Brasília, informou que o ministro Paulo Renato Souza já assinou portaria que autoriza a contratação de 6.187 professores substitutos para todo o País. Falta ainda a assinatura do ministro do Planejamento, Martus Tavares, para que a portaria seja publicada no Diário Oficial. A expectativa é que isso ocorra até 20 de agosto.A UFF arrecada R$ 6 milhões anualmente, dentro da política do MEC, que estabelece que as universidades têm de obter recursos próprios. A verba é obtida com cursos de extensão, consultorias que a instituição presta e organização de concursos públicos. "A universidade se distancia dos objetivos dela quando passa a se preocupar unicamente com a obtenção de recursos. O governo tem de ter compromisso mínimo em manter os prédios, e o custeio das instituições", afirmou Fialho. O pagamento de professores é feito diretamente pelo MEC. O custeio e manutenção das universidades é garantido por orçamento também do ministério, calculado com base no número de alunos, de formandos, de pesquisas em curso, e outros parâmetros.

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