Falta vontade política para combater violência, diz OAB

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Rubens Approbato Machado, disse nesta quarta-feira que o Brasil está ?no limiar de um estado de anomia? em que as leis não são cumpridas e a polícia não consegue cumprir seu papel ?por desorganização e desintegração dos corpos policiais?.Num documento intitulado "Alerta à Nação?, Machado afirmou ainda que falta vontade política para resolver o problema da violência no País. "Não mais podemos admitir que os planos nacionais de segurança fiquem apenas na intenção das promessas", afirmou. "Não é multiplicando leis que diminuiremos a quantidade de crimes."Para ele, se não forem tomadas as providências adequadas, o País poderá "enveredar pela trilha da guerrilha urbana". Na nota oficial, o presidente da OAB afirma ainda que o problema da criminalidade não será resolvido com o aumento das penas, mas com "a certeza da punição"."De cada 100 crimes violentos, a polícia só consegue prender suspeitos em 24 casos. Destes 24, apenas 14 casso conseguem ter provas para submeter os acusados a julgamento. Dos 14, apenas um criminosos cumprirá pena até o final. É alarmante o dado: apenas um criminoso fica por trás das grades pelo tempo integral da pena", diz o documento.O Poder Judiciário não ficou imune às críticas da OAB. Para Approbato Machado, é preciso acabar com sua morosidade. ?A burocracia faz com que processos de homicício levem 10 anos para ser concluídos, fomentando o clima de impunidade?, alerta, para em seguida recomendar que os juízes dêem prioridade ao julgamento dos crimes violentos. ?O interesse social há de se sobrepor às pautas de julgamento.?Approbato Machado observou que o tema violência deverá estar no centro do debate na campanha eleitoral deste ano. "Não podemos mais admitir que as autoridades sejam afetadas em sua sensibilidade apenas quando ocorrem crimes de alto impacto, como o do jornalista Tim Lopes ou, também recente, do prefeito de Santo André, Celso Daniel", afirmou.Para o presidente da OAB, é necessário trabalhar com os jovens para evitar a violência. "Temos de olhar, com particular atenção, para a juventude, principalmente para os jovens entre 18 e 25 anos, que se desviam de seu natural caminho de crescimento profissional.?O assassinato de Tim Lopes levou também outras entidades a se manifestarem. O representante da Unesco no Brasil, Jorge Werthein, divulgou nota em que repudia o crime, pede o julgamento dos responsáveis e proteção aos jornalistas no exercício de suas funções. O secretário Nacional de Segurança Pública, Cláudio Tucci, diz que o crime constitui ?gravíssima violação do direito de liberdade de imprensa? e afirma que o Ministério da Justiça não poupará esforços para ajudar na captura dos assassinos.

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