Falta sensibilidade ambiental à Dilma, diz Graziano

O coordenador da campanha de José Serra (PSDB) à Presidência da República, Xico Graziano, acusou hoje a candidata Dilma Rousseff (PT) de "insensibilidade ambiental". "É lamentável você pensar em governar um País sem visão ambientalista, de sustentabilidade", disse, durante um debate sobre saneamento básico promovido pelo Instituto Trata Brasil, em São Paulo.

ANNE WARTH, Agência Estado

26 Julho 2010 | 16h27

Ex-secretário estadual do Meio Ambiente de São Paulo, Graziano aproveitou o evento para defender o PSDB das críticas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último dia 16 de julho, segundo as quais o governo atrasava a concessão de licenças ambientais para a realização de obras em todo o Estado.

Na avaliação dele, Lula disse uma "bobagem". Ele disse ainda ter sido pressionado pelas prefeituras de Diadema e de São Bernardo do Campo, ambas governadas pelo PT, para autorizar o início de obras sem que estudos de impacto ambiental estivessem concluídos. "Querem fazer o que se fez sempre antes, tocar o pau sem licença ambiental", disse. "Estamos colocando em ordem, aqui tem lei, tem regra, a visão ambiental do processo é importante", afirmou.

A avaliação de Graziano foi endossada pelo coordenador da campanha de Marina Silva (PV), João Paulo Capobianco. Para ele, que foi secretário-executivo do ministério do Meio Ambiente na gestão de Marina Silva, o programa Minha Casa Minha Vida, coordenado por Dilma, tem "problemas gravíssimos" e estimula a construção de "puxadinhos" em áreas de risco e mananciais, uma vez que não exige nenhum tipo de documento que comprove que a construção é regular.

"O programa atende a uma necessidade básica da população sem nenhum critério, sem estar vinculado a um projeto de planejamento urbano", disse. "O governo não pode ter a irresponsabilidade de dar crédito a qualquer um de qualquer maneira, trata-se de um crescimento desordenado financiado pelo poder público", acrescentou Capobianco.

O coordenador da campanha de Marina ressaltou que estava criticando o modelo adotado pelo governo. "Você pode sim condicionar o crédito a uma regularização, não quer dizer que você tenha de estar regular, mas tem de estar se regularizando, e tem que haver um processo para checar isso", defendeu Capobianco.

Defesa

O deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), coordenador da campanha de Dilma, defendeu a candidata das críticas de Graziano. De acordo com ele, trata-se de uma reação ao posicionamento de Dilma nas pesquisas eleitorais.

Na última pesquisa Vox Populi, divulgada na sexta-feira, 23, Dilma está com 41% das intenções de votos, oito pontos à frente de seu principal adversário, José Serra (PSDB). Na pesquisa Datafolha, divulgada no sábado, 24, Dilma e Serra estão em empate técnico, respectivamente com 36% e 37%.

"Não tem me agradado nos últimos dias algumas situações que são feitas de desqualificação pessoal, não é a orientação da nossa campanha", afirmou. "Vamos fazer a crítica e a análise comparativa e política", acrescentou. Para Cardozo, a desqualificação pessoal ocorre porque "as pessoas estão sem discurso e desesperadas".

Programa

Sobre o programa Minha Casa Minha Vida, Cardozo avaliou como inviável a apresentação de documentos que comprovem a situação regular de um imóvel para que ele seja expandido. "Em São Paulo, 80% dos imóveis não estão regularizados", calculou. "A periferia toda está irregular e os restaurantes dos Jardins também", afirmou.

Na avaliação dele, a legislação muitas vezes é "perversa" nesses casos e "privilegia a corrupção e o achaque dos fiscais". "Você tem que ter a visão social da questão, só liberar crédito para quem estiver regularizado mata as políticas sociais."

Para Cardozo, as críticas de opositores ao programa são naturais. "Pessoas de baixíssima renda poderão, pagando apenas uma pequena parte de sua casa, ter um resultado fantástico", explicou. "É natural que isso traga uma situação social muito favorável ao atual governo e à candidata Dilma Rousseff", acrescentou.

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