'Falta resolver a articulação política', diz senador petista

Para Walter Pinheiro (BA), crise do governo Dilma é mais grave que a vivida por Lula com saída de Dirceu, em 2005

Christiane Samarco, de O Estado de S. Paulo

08 de junho de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - Depois de cobrar explicações do ex-ministro Antonio Palocci, o senador Walter Pinheiro (PT-BA) adverte agora que "a solução ficou no meio do caminho". Para ele, a nomeação de Gleisi Hoffmann resolveu o problema da Casa Civil, mas não a articulação política. Por isso, Pinheiro considera a crise atual mais grave que a saída do ministro José Dirceu, em 2005.

 

A posse de Gleisi Hoffmann resolve a questão da Casa Civil?

Resolve a Casa Civil, mas a solução ficou no meio do caminho. Falta resolver a articulação política. A mexida com Gleisi foi feita com foco de arrumar a gestão e a relação entre os ministérios. É óbvio que ela vai conversar com o Congresso - ela é senadora -, mas, se a ideia é ela tocar a gestão, vai precisar remodelar a relação com o Congresso.

 

Antonio Palocci era a figura mais forte do governo?

Sem dúvida.

 

Esse episódio pode ser comparado à queda do ministro José Dirceu no governo Lula?

Os dois casos têm uma diferença que até o tempo explica. Na crise que levou à saída de Dirceu, o governo Lula tinha vencido as etapas das suas relações no Congresso. A articulação estava funcionando.

 

Então essa crise é mais grave?

Exatamente por isso a decisão da presidenta em tomar uma posição rápida, sem conversar muito, era necessária. Lula tinha uma situação consolidada, a articulação estava resolvida.

 

E ainda resta o passivo dos cargos do segundo escalão.

Essa era uma crítica muito frequente e acentuada e é um passivo que precisa ser definido. Se não vai promover alterações, suspende o processo, deixa como está e avisa que não tem nada vago. Mas aí não se pode exigir resposta da noite para o dia.

 

A presidente escolheu Gleisi sem consultas prévias e sem ouvir aliados. É um bom método?

Foi o método para o momento. Se o remédio fosse parar para discutir com os partidos, demandaria mais tempo para solucionar um problema que precisava ser de imediato.

 

A articulação política deve continuar com o PT?

O normal é que Relações Institucionais continue com o PT, a menos que a presidente avalie que é preciso mudar. O fundamental agora não é o nome; é a modelagem. Se na nova modelagem, um nome não se enquadra, ela tem que dizer.

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