Falta remédio para esclerose múltipla no Rio

A Secretaria de Estado de Saúde deixou de distribuir a cerca de 500 pacientes portadores de esclerose múltipla o remédio Interferon Beta, do laboratório paulista Serono, há cerca de um mês. A falta do remédio pode provocar surtos de cegueira, derrame facial, visão dupla e seqüelas na fala. O laboratório, quedetém a exclusividade da distribuição do medicamento, informou que o contrato com o Estado acabou e há uma dívida de R$ 1,4 milhão referente aos anos de 2000 e 2001, período do governo Anthony Garotinho.O gerente geral do Serono, Rubens Pedrosa, informou que o contrato com o Estado foi cumprido integralmente, apesar da dívida. ?Desde o mês de setembro enviamos quatro propostas de negociação para parcelamento do débito, todas recusadas pelo governo?, afirmou Pedrosa. Ele disse que enviaria outraproposta ainda ontem. ?Esse é um produto importado, sujeito à variação cambial e nossos preços são fixos. Para nós ficou difícil manter o fornecimento ao Rio?, afirmou.A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Saúde informou que odepartamento jurídico do órgão considerou ?inviáveis? as propostas iniciais da empresa. Ficou acertado que caso a nova proposta fosse aceita, uma remessa de 2 mil seringas seria enviada para o Rio na segunda-feira, mas até o fim da tarde o Departamento Jurídico não havia dado o aval para o novocontrato.A aposentada Neusa Rocha, de 46 anos, é uma das pacientes que está há um mês sem o medicamento. ?Esse medicamento não cura, mas garante uma qualidade de vida melhor. Graças a Deus não tive nenhum surto?, disse. É a segunda vez, em três anos, que ela enfrenta o problema. Em 1999, o remédio também deixou de ser distribuído por dívidas do Estado com o laboratório. Neusa, então, fundou a Associação Força e União dos Amigos de Portadores de Esclerose Múltipla (Afuapem). A aposentada contou ainda que não encontrou o remédio em farmácias. A explicação do gerente geral do Serono é que 99,5% da distribuição do Interferon Beta vai para secretarias de Saúde de todo o País. Ele informou que os pacientes podem ligar para o telefone 0800-11-3320, para saber onde comprar o remédioenquanto o fornecimento não for restabelecido.

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