Falta empenho dos governadores para reformas, diz Greenhalgh

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, Luiz Eduardo Greenhalgh, voltou a reclamar hoje da falta de empenho dos governadores na discussão das reformas constitucionais. "Na CCJ, eu posso demonstrar isso com muita tranquilidade, muitos dos deputados ligados aos governadores dos seus Estados debateram contrariamente à reforma. Eu fiz um alerta num debate de que participei em São Paulo; esse alerta foi captado pela imprensa e graças a Deus o presidente Lula marcou uma nova reunião com os governadores (no dia 30), para afinar os compromissos recíprocos", afirmou Greenhalgh, em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo. Para ele, alguns governadores estão fazendo a sua parte, mas a maioria não está colaborando. Tem que ser agora Greenhalgh disse hoje que a reforma constitucional terá que ser feita agora. "O governo sabe que no ano que vem a gente não vai ter condição, porque é ano eleitoral", observou. "O presidente da República está jogando o seu prestígio, neste início de governo, na esperança de mudança nessas reformas", acrescentou o deputado.Com relação às dificuldades de entendimento dentro do próprio partido do presidente, o PT, na discussão das reformas constitucionais, Greenhalgh afirmou que o partido é diferente, porque seus militantes sempre participaram de discussões internas. "Cada deputado do PT é um militante de longa data. A gente tem que respeitar as opiniões. O central aí é fazer com que a bancada ande junta", observou. Governo deve concentrar discussão no CongressoGreenhalgh defendeu ainda, durante a entrevista, que o governo deve se concentrar agora sobre o parlamento, na discussão das reformas. "É verdade que o presidente Lula fez um consenso com governadores. É verdade que o presidente fez um consenso com empresários, no Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e é verdade que as reformas vieram ao parlamento sem que houvesse antecipadamente uma discussão em profundidade. No fundo, no fundo, não há possibilidade de êxito no Poder Executivo se não tivermos um diálogo, a formação de um consenso progressivo no parlamento. Por isso acho que o governo tem que se concentrar agora nesses 40, 50 dias que restam para a gente chegar ao plenário, numa discussão com as bancadas de apoio, em especial com a do PT, que precisa ser ouvida", disse.Emendas serão concentradasGreenhalgh apoiou decisão tomada no início desta madrugada, na reunião entre lideranças petistas e o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. No encontro ficou definido que as 160 emendas individuais à proposta de reforma previdenciária serão transformadas em seis a dez emendas coletivas. "Não fica bem para o principal partido de sustentação de governo ficar fazendo pontuais para ficar disputando o apoio na sua base", disse Greenhalgh. "Nós temos que fazer emendas coletivas, que não podem ser apenas de aparência, e que têm que ser discutidas com o governo para serem incorporadas às reformas."

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