Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Falta de segurança não se resolve distribuindo armas, diz Marina

A pré-candidata da Rede ao Planalto também se posicionou contra as privatização da Petrobrás, da Caixa e do Banco do Brasil

Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2018 | 13h01

BRASÍLIA - A pré-candidata ao Palácio do Planalto Marina Silva (Rede) disse nesta quarta-feira, 6, que o problema de segurança pública no País não se resolve "distribuindo armas para as pessoas". A declaração ocorre no contexto da uma volta do debate da revogação do estatuto do desarmamento, pautado principalmente pelo presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

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"É preciso ter firmeza para resolver a falta de segurança pública, mas esse problema não se resolve com mais violência, nem distribuindo armas para as pessoas", afirmou a pré-candidata da Rede, após sabatina promovida pelo Sindicato Nacional de Auditores Fiscais e o jornal Correio Braziliense, na capital federal. Segundo defendeu, é preciso encontrar uma solução para o alto índice de homicídios no País e acabar com os poderes de "bandidos" que, das prisões, controlam tráficos de drogas e de armas.

Marina também disse que não pretende fazer "um embate" com Bolsonaro, mas pretende mostrar suas visões diferentes da do concorrente, especialmente na área da segurança pública. O pré-candidato do PSL apareceu, na última pesquisa de intenção de votos do Datafolha de abril, liderando a disputa com 17%, mas Marina apareceu logo atrás, variando entre 15% e 16%.

Ao falar sobre a campanha eleitoral, a pré-candidata da Rede reiterou seu posicionamento de respeito quanto a seus competidores. "O Ciro, o Bolsonaro e o Alckmin jamais terão de mim qualquer atitude de desconsideração e de desconstrução de imagem", disse, referindo-se aos pré-candidatos do PDT, PSL e PSDB à Presidência, respectivamente.

A ex-ministra do Meio Ambiente da gestão petista ainda se queixou da disputa de 2014, quando teria sido vítima da então concorrente petista Dilma Rousseff e do marqueteiro João Santana. "Quem inventou o 'fake news' não foi o Trump (Donald Trump, presidente dos Estados Unidos), foi a Dilma e o João Santana".

Privatização. Durante a sabatina, a presidenciável voltou a criticar a privatização da Petrobrás, da Caixa Econômica e do Banco do Brasil. "Em primeiro lugar, não sou favorável às privatizações da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica. Agora acho que é possível que algumas empresas sejam privatizadas", disse.

Sobre a Eletrobras, a pré-candidata não expressou especificamente ser contra a venda da estatal, mas questionou o processo de privatização da empresa que vem sendo feito pelo governo. "A gente não vende a joia da família para jantar fora", comentou.

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Marina afirmou que o governo do presidente Michel Temer só prejudicou o debate da Previdência e isso por oportunismo e por querer atender apenas uma parte da sociedade. "É preciso uma reforma da Previdência devido ao grande déficit, mas não se pode ouvir apenas o lado do empregador. Muitos grupos com poder de pressão não foram atingidos pela proposta do governo", disse a pré-candidata, sem citar que grupos seriam esses.

A uma pergunta sobre o que ela tinha mudado de 2014 para cá, Marina optou em apontar mudanças de concorrência: "Naquelas eleições, existiam aqueles que disputavam poder em estruturas criminosas na Petrobras, no Banco do Brasil e por meio de venda de medidas provisórias. Agora, muitos não estão disputando eleições, mas salvo-condutos". Marina citou que atualmente cerca de 200 parlamentares do Congresso Nacional estão sendo investigados no âmbito da Operação Lava Jato.

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