Falta de remédios e problema na direção abrem crise no Inca

O diretor-geral do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Jamil Haddad, reúne-se amanhã com o secretário nacional de Atenção à Saúde, Jorge Solla, para discutir a crise na instituição. Cinco diretores do Inca desentenderam-se com Haddad e estão demissionários. Segundo um dos diretores que puseram o cargo à disposição, Daniel Tabak, está prevista para amanhã uma assembléia de funcionários e uma manifestação em defesa do instituto. No Ministério da Saúde, Solla é o responsável pela rede de hospitais federais."Estamos estudando uma forma de garantir a continuidade da assistência, mas não é um movimento grevista nem político", diz Tabak. O médico informou que um grupo de coordenadores de unidades também abrirá mão dos cargos de chefia. As principais queixas dos demissionários são a falta de medicamentos e a atuação da diretora de Administração do Inca, Zélia Abdul Nacif, mulher do presidente da Câmara Municipal do Rio, Sami Jorge.Jamil Haddad argumenta que, ao assumir o Inca, em março deste ano, encontrou grande carência de medicamentos, mas conseguiu reabastecer o estoque. O desabastecimento de agora, segundo Haddad, foi causado porque os setores de farmácia e de almoxarifado não repassaram à direção do hospital a lista dos remédios que faltavam. Até quarta-feira, garante o diretor-geral, o estoque estará reposto. Os demissionários rebatem dizendo que em abril Haddad recebeu um relatório sobre as carências de medicamentos e não tomou providências.Ontem, no lançamento da Semana sem Tabaco, na Quinta da Boa Vista (zona norte do Rio), o próprio diretor-geral do Inca recebeu um panfleto com críticas à sua administração. Ele diz que tudo não passa de uma reação a modificações que vem fazendo no hospital. "O que está acontecendo é uma trama, com vários estágios", afirma Jamil Haddad, que foi prefeito do Rio e ministro da Saúde no governo Itamar Franco.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.