Falta de quórum adia instalação do Conselho de Ética no Senado

Órgão deverá analisar pedidos de investigação contra Sarney: um sobre atos secretos e outro sobre fundação

EUGÊNIA LOPES, Agencia Estado

14 de julho de 2009 | 18h22

O Conselho de Ética do Senado não foi instalado nesta terça-feira, 14, por falta de quórum. Os líderes dos partidos governistas esvaziaram a sessão do conselho, impedindo o início do seu funcionamento. Após a instalação, o órgão deverá analisar as duas representações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP): uma sobre os atos secretos e outra sobra a fundação que leva o nome do senador.

 

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Não há consenso sobre quem vai presidir o órgão. O senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) é candidato, mas seu nome enfrenta resistências junto ao PMDB. "Não abro mão da minha candidatura e o ideal é que o conselho se instale antes do recesso", disse Valadares, depois de conversar com o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL).

 

O Senado aprovou nesta terça os nomes dos titulares e suplentes do Conselho de Ética da Casa. Para impedir qualquer investigação contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a cúpula do PMDB e os partidos da base aliada indicaram parlamentares da chamada "tropa de choque" para integrar o conselho. Com o controle de 10 do total de 15 votos de titulares do conselho, os governistas vão blindar Sarney e usar como argumento para arquivar a representação o fato de a maioria dos atos secretos ter sido editada na legislatura passada.

 

Serão titulares do conselho os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO), Heráclito Fortes (DEM-PI), Eliseu Resende (DEM-MG), Wellington Salgado (PMDB-MG), Almeida Lima (PMDB-SE), Gilvam Borges (PMDB-AP), Paulo Duque (PMDB-RJ), Marisa Serrano (PSDB-MS), Sérgio Guerra (PSDB-PE), Gim Argello (PTB-DF), João Durval (PDT-BA), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), João Pedro (PT-AM), João Ribeiro (PR-TO) e Inácio Arruda (PCdoB-CE).

 

Já os suplentes serão os senadores Antonio Carlos Junior (DEM-BA), Rosalba Ciarlini (DEM-RN), Romero Jucá (PMDB-RR), Maria do Carmo Alves (DEM-SE), Valdir Raupp (PMDB-RO), Mão Santa (PMDB-PI), Lobão Filho (PMDB-MA), Arthur Virgílio (PSDB-AM), João Vicente Claudino (PTB-PI), Jefferson Praia (PDT-AM), Delcídio Amaral (PT-MS), Ideli Salvatti (PT-SC), Eduardo Suplicy (PT-SP) e Augusto Botelho (PT-RR).

 

O PSOL encaminhou representação Sarney e o líder do PMDB e ex-presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), para que sejam investigados os 663 atos secretos baixados ao longo dos últimos 14 anos, que beneficiaram correligionários e parentes dos dois senadores. Mais cedo, o líder do PSDB, senador Arthur Virgilio (AM), comunicou, na tribuna, que encaminhou ao conselho nova denúncia contra o presidente do Senado, José Sarney, por ter, segundo Virgílio, mentido, ao negar envolvimento direto com a Fundação José Sarney.

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