Falta de padres e aumento de evangélicos são desafios da Nunciatura

O novo embaixador da Santa Sé no Brasil, o italiano Lorenzo Baldisseri, de 62 anos, encontrará uma Igreja Católica com falta de novos padres e que tenta conter o avanço de religiões evangélicas.O arcebispo Lorenzo Baldisseri substituirá o também italiano Alfio Rapisarda, que comanda há dez anos a Nunciatura Apostólica no Brasil. Baldisseri fala português e já atuou como secretário na Nunciatura. Hoje, representa a Santa Sé na Índia e no Nepal. Nesses dois países, a Igreja também convive com as pressões de outras religiões.Faltam 25 mil padresDados da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) mostram que faltam pelo menos 25 mil padres nas 269 dioceses brasileiras. "A formação de novos padres é uma preocupação de toda Igreja e, certamente, do novo núncio apostólico", afirma o secretário-geral da CNBB, dom Raimundo Damasceno Assis. "É uma questão de vida ou morte", diz ele.Nos anos 90, o número de católicos caiu 12% e o de evangélicos aumentou 70%. O Censo 2000 do IBGE, no entanto, calcula que os católicos ainda são maioria. Cerca de 125 milhões de brasileiros disseram praticar a religião. Já os evangélicos formam um universo de 26,167 milhões de pessoas.ExperiênciaPara a CNBB, a vitória da esquerda nas eleições presidenciais do Brasil não influiu na escolha do nome de Lorenzo Baldisseri pelo Vaticano. A trajetória dele inclui passagens por países como Haiti, Paraguai e Zimbábue. Na época em que Baldisseri foi núncio apostólico no Haiti (1991 a 1995), o país vivia o turbulento e explosivo governo de Jean Bertrand Aristide, um ex-padre salesiano."Essa trajetória mostra que ele tem experiência para atuar no episcopado com maior número de dioceses do mundo", diz d.Raimundo. "A maior dificuldade da Nunciatura é a extensão do território brasileiro." O novo núncio apostólico chefiará 422 bispos, incluindo os que renunciaram. Uma das responsabilidades do núncio apostólico é indicar nomes de bispos ao Papa. Cerca de 15 vagas de bispo estão abertas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.