Dida Sampaio / AE 01.08.2011
Dida Sampaio / AE 01.08.2011

Falta de consenso pode adiar votação de proposta da reforma política

Negociações ainda entravam em posições antagônicas que PT e PMDB têm

Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2011 | 19h17

BRASÍLIA - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu se envolver pessoalmente nas negociações para tentar aprovar a reforma política no Congresso. Lula se reúne nesta sexta-feira, dia 16, com os dirigentes do PC do B, o PDT e o PSB em busca de pontos consensuais para mudar o sistema político brasileiro. O ex-presidente também irá discutir a reforma política com o comando do PMDB. PT e PMDB têm posições antagônicas em pontos da reforma.

"O Lula é o presidente de honra do PT e, portanto, é natural que ele lidere esse movimento de debate entre os partidos para discutir a reforma", afirmou o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (SP). Sem acordo, a votação do relatório do deputado Henrique Fontana (PT-RS), relator da reforma política, na comissão especial da Câmara, será adiada para outubro. Originalmente, a proposta seria votada na semana que vem, no dia 21.

Lula se reuniu nesta segunda-feira, 12, com petistas, em São Paulo, para discutir a reforma política. No 4º Congresso do PT, realizado há dez dias, o partido ratificou a necessidade de mudanças no sistema político brasileiro. Ficou definido que o financiamento público de campanha é um dos pontos essenciais da reforma. Pela proposta de Fontana, as empresas estatais poderão bancar campanhas eleitorais. O projeto prevê a criação de um fundo _ Fundo de Financiamento de Campanhas Eleitorais (FFCE) _ que poderá receber dinheiro público e privado.

O financiamento público enfrenta, no entanto, resistências junto a partidos da base aliada. Parte do PMDB é contra a proposta. Também não há consenso em relação ao sistema eleitoral, com voto proporcional misto proposto por Fontana. Pelo projeto, o eleitor vota diretamente em um candidato para preencher metade das vagas para a Câmara dos Deputados, as assembleias legislativas e as câmaras de vereadores. Na outra metade, o eleitor vota em uma lista preordenada de candidatos, definida por cada partido.

O encontro do ex-presidente com os petistas foi na sede do Instituto Lula, em São Paulo. Além de Fontana e Teixeira, estiveram presentes os deputados Érika Kokay (PT-DF) e Ricardo Berzoini (PT-SP). Também compareceram o secretário-geral do partido, Elói Pietá; o presidente da Fundação Perseu Abramo, Nilmário Miranda; e os ex-ministros Paulo Vannuchi e Luiz Dulci, atuais diretores do Instituto Lula.

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