Falta de confiança no Congresso passa de 80%, diz AMB

Levantamento pedido pela entidade mostra que só 4,3% aprovam candidatura de político processado

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

27 de setembro de 2007 | 00h00

Não confiam na Câmara dos Deputados 83,1% dos brasileiros e não confiam no Senado 80,7%, revela pesquisa da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que reúne cerca de 15 mil juízes em todo o País.O estudo mostra que a maioria maciça (94,3%) considera que político processado na Justiça não pode disputar eleição. Apenas 4,3% aprovam essa situação, que não é vetada pela legislação eleitoral, exceto nas ações julgadas definitivamente e ainda assim quando a penalidade é aplicada expressamente em sentença.A pesquisa intitulada "Imagem das Instituições Públicas Brasileiras" será divulgada hoje, em Brasília. Em audiência pública, a Comissão de Legislação Participativa e a AMB vão promover um debate no plenário 3 da Câmara, anexo II.A pesquisa foi encomendada pela AMB à Opinião Consultoria, com apoio do Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (UnB).Realizada em agosto, antes da votação a portas fechadas que livrou da cassação o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a consulta foi feita a 2.011 pessoas em todo o País, de diferentes profissões e segmentos da sociedade civil.Do universo de entrevistados, 20,3% são servidores públicos, 37% são funcionários de empresas do setor privado e o restante empresários, industriais, comerciantes, autônomos e donas de casa. Do total, 45,6% são mulheres e 54,4% homens.O levantamento, segundo a AMB, busca avaliar a confiança dos brasileiros nas instituições e órgãos públicos. Questões sobre a imagem do Judiciário também constam da pesquisa, além de outros temas, como foro privilegiado, a luta contra a improbidade, reforma política e confiança nos políticos.NÍVEL DE CONFIANÇAApenas 12,5% confiam na Câmara, 14,6% no Senado. Uma minoria não soube avaliar: 4,4% no caso da Câmara, 4,7% com relação ao Senado.A série de questionários abordou outros aspectos de interesse público, como o nível de confiança do País na Polícia Federal e se a população acredita efetivamente que a corrupção pode ser combatida.A pesquisa incluiu avaliação sobre imprensa, prefeitura, governo estadual e federal, Juizado de Pequenas Causas, Supremo Tribunal Federal, juízes, Poder Judiciário, Justiça Eleitoral e do Trabalho, PF, Forças Armadas, partidos, políticos, Câmara Municipal, Câmara dos Deputados e Senado.Na apresentação de hoje, o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, Rodrigo Collaço, e os professores Ricardo Caldas e Robson Pereira, da UnB, farão uma análise dos resultados da abordagem. A metodologia será apresentada por David Lima, da Opinião Consultoria, responsável pela execução do trabalho.DEBATEDeputados vão participar de um debate sobre os fatores que mais afetam a imagem do Legislativo, do Judiciário e do Executivo. Para o professor Caldas, a pesquisa contribui para a discussão da desgastada imagem das instituições públicas.A AMB não quis, desta vez, limitar o rol de entrevistados a seus filiados, que são exclusivamente magistrados.Em 2006, a entidade fez uma pesquisa entre os juízes e concluiu que 98,5% da toga considerava que "a ação nefasta e endêmica da corrupção" na administração pública era a maior causa da estagnação do País. Entre os magistrados, 95,4% defenderam a atualização da tipificação dos crimes eleitorais como forma de evitar a reedição do mensalão no Congresso.Naquela ocasião, foram ouvidos 3 mil juízes. O levantamento teve coordenação da socióloga Maria Tereza Sadek, que é pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP).

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