Falta de apoio político prejudica defesa de Rainha, diz advogado

O advogado Hamilton Beloto Henriques, que tenta tirar da prisão o líder do Movimento dos Sem Terra (MST) no Pontal do Paranapanema, José Rainha Júnior, atribuiu ontem ao isolamento político a que está relegado seu cliente parte das dificuldades que vem enfrentando para conseguir sua libertação. Desde que foi preso, no último dia 25, por porte ilegal de arma, Rainha não recebeu apoio explícito de nenhum político de expressão dos partidos que sempre apoiaram o MST, como o PT e o PC do B. Recolhido a uma cela comum da cadeia pública de Presidente Venceslau, ele também foi abandonado pelas lideranças nacionais do movimento. "Como advogado do Rainha, estou estranhando o silêncio das lideranças e das organizações sociais ligadas ao movimento ." Segundo ele, as manifestações de apoio e solidariedade seriam usadas como reforço, perante a justiça, aos argumentos que visam comprovar a inocência do acusado. Nos cinco primeiros dias de cativeiro, a visita mais expressiva recebida pelo líder do MST foi da própria esposa, Diolinda da Silva, e de seu auxiliar direto, Sérgio Pantaleão. Tanto o deputado e advogado petista Luis Eduardo Greenhalg como o coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile, eram visitas tidas como certas na prisão, mas até a noite de ontem não tinham aparecido. Para Henriques, a distância de Rainha tomada pelo PT é explicável. "No atual momento político, tentariam vincular o partido ao motivo da prisão de Rainha, o que, apesar de injusto, poderia ser desastroso eleitoralmemte para o PT", analisou. Rainha foi preso numa barreira policial levando no carro uma escopeta calibre 12 e munição. O advogado tenta provar a tese de que foi uma "armação", a mesma defendida publicamente por Rainha quando foi preso. A arma, segundo o advogado, pertenceria ao motorista do carro, José Luis da Silva, que não ficou detido. "Ele é inocente e deveria estar sendo apoiado agora", reclama. Logo após a prisão, José Rainha recebeu ordem da coordenação nacional do MST para ficar em silêncio. Ele tem se negado a receber a imprensa na cadeia. Diolinda também passou a evitar as entrevistas. As ações que vêm sendo realizadas pelo movimento no Pontal, como a invasão de duas fazendas e o ato público de 1º de Maio, têm sido vinculadas principalmente à Jornada Nacional de Luta do MST e apenas em segundo plano como protesto pela prisão. A falta de apoio foi notada pelo diretor da cadeia de Vencelau, delegado Ely Roberto Sanches. Ele acompanha há quatro anos e meio a trajetória de Rainha. "Nunca o vi tão pouco assediado."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.