Falta de aparelhos impediu previsão sobre ciclone

A inexistência de aparelhos adequados impediu que institutos meteorológicos apontassem com precisão a área de maior risco do ciclone Catarina, inviabilizando uma ação mais rápida da Defesa Civil. ?Nas nossas previsões, conseguimos delimitar uma região de 200 quilômetros onde o ciclone poderia ganhar força. Não há como fazer de forma segura uma ação efetiva numa extensão tão grande. Isso poderia acabar causando um mal maior?, afirmou a chefe do Centro de Previsão do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe), Maria Assunção Dias.O governo cogitou remover todos os moradores dos municípios ameaçados, mas descartou essa possibilidade no sábado à tarde, quando concluiu que o sul de Santa Catarina e o norte do Rio Grande do Sul não seriam atingidos por um furacão, mas por um ciclone. A decisão foi tomada em Brasília, pela Secretaria Nacional de Defesa Civil, com base em informações do centros meteorológicos.O secretário nacional de Defesa Civil, Jorge Pimentel, disse que viveu momentos de ?agonia? no sábado. Por volta das 10 horas, segundo ele, chegou a informação de que o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos previa a chegada de um furacão e alertava que o procedimento nesses casos era remover os moradores. O ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes foi avisado e entrou em contato com os governadores do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), e de Santa Catarina, Luiz Henrique (PMDB). Só após as 15 horas o risco de furacão foi descartado e os governadores, avisados. Segundo Pimentel, a possibilidade de remoção não foi divulgada para evitar pânico. ?Não houve falha em momento algum dos mecanismos preventivos?, afirmou.Quanto à remoção, ele disse que moradores de áreas de risco, como favelas e quiosques, foram retirados. Da mesma forma, foram divulgados avisos para que a população não saísse à rua nem ao mar. Segundo ele, quem não seguiu a recomendação foi ?imprudente? ou estava desinformado. O sigilo sobre a possibilidade de remoção em massa teve como objetivo evitar o caos, segundo o secretário. ?As pessoas iriam sair de forma desordenada, haveria saques e um caos completo?, disse.O secretário disse não saber ainda qual o valor dos prejuízos. Ele espera receber essas informações das prefeituras nos próximos dias. O ministro Ciro Gomes não quis falar sobre o assunto e disse, por meio da assessoria, que o caso estava sob a responsabilidade de Pimentel.

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