Falta atendimento educacional para deficientes

Apenas 2,2% dos brasileiros com deficiências físicas e mentais recebem atendimento educacional. O cálculo tem como base estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS), segundo o qual 10% da população mundial sofre desse tipo de problema. No Brasil, seriam 17 milhões de pessoas, das quais apenas 374 mil são atendidas, seja pela rede pública de ensino ou por instituições privadas, em parceria com o governo federal."Acho que ainda é pouco", reconheceu a secretária Nacional de Educação Especial do Ministério da Educação (MEC), Marilena Ribeiro dos Santos. "A maior dificuldade é chegarmos à capacitação de todos os professores, numa rede que tem dois milhões de profissionais", afirmou o ministro da Educação, Paulo Renato Souza. Eles estiveram no 1.º Encontro Nacional de Educação Inclusiva, no Hotel Glória, zona sul.Para a secretária, a Educação Especial nunca foi tão valorizada como no governo Fernando Henrique Cardoso. Segundo Marilena, em 1997, o País dispunha de 8.500 escolas para atender aos alunos portadores de necessidades especiais. Hoje, são 18.200 unidades. Quando se fala em municípios, o salto é de 2.375 para 3.928, num universo de 5.507 cidades. "Estamos num processo que se acelerou muito. Nunca a Educação Especial teve uma valorização tão grande", disse.Entre as medidas inclusivas adotadas durante sua gestão, Paulo Renato destacou campanhas publicitárias; treinamento de professores por meio da TV Escola e de cursos em todo o País; e produção de material de apoio, especialmente para os portadores de deficiências visuais e auditivas (o MEC adaptou 120 títulos didáticos para o sistema braile, por exemplo). Para o futuro, estudam-se mudanças no vestibular, para dar igualdade de oportunidades aos portadores de deficiências e a criação, nas universidades, de programas de apoio a esses estudantes. "Nossa idéia é que as escolas possam ter a educação bilíngüe, no português falado e na linguagem brasileira de sinais", afirmou o ministro."Tem havido um avanço muito grande. É claro que a simples aprovação pelo MEC não muda as coisas instantaneamente", disse Paulo Renato, referindo-se às Diretrizes Nacionais para a Educação Especial, homologadas em setembro do ano passado pelo Conselho Nacional de Educação, orientando todo o sistema para a inclusão dos portadores de necessidades especiais nas escolas regulares. "Há um período de adaptação", observou.

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