Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

Falso relatório do TCU mostra desinformação como modo de governar; leia análise

O objetivo desse tipo de estratégia é semear a dúvida e a desconfiança da população nas instituições e nas informações oficiais

Rose Marie Santini*, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2021 | 05h00

É crescente a preocupação entre jornalistas, acadêmicos e formuladores de políticas públicas sobre as consequências sociais da disseminação de desinformação no dia a dia das pessoas. Até então, o debate público tem se concentrado na polarização da opinião pública e na manipulação de campanhas eleitorais ao redor do mundo. Entretanto, segundo estudo recente divulgado pela Universidade de Oxford, a desinformação tem sido cada vez mais usada como estratégia de propaganda em massa e “operação de influência” por parte dos próprios governos em mais de 80 países, entre eles o Brasil. 

O caso do relatório falso produzido por um servidor do TCU, com informações distorcidas sobre mortos por covid-19 no Brasil e amplificado pelo presidente, é um caso emblemático. O objetivo desse tipo de estratégia é semear a dúvida e a desconfiança da população nas instituições e nas informações oficiais, embaralhar fatos e mentiras na esfera pública, dar insumos a teorias conspiratórias e direcionar a opinião pública para realidades paralelas.

Entre as principais ferramentas de desinformação utilizadas como estratégia de governança estão, além da produção de relatórios falsos e contraditórios, a omissão de dados oficiais, o uso de tropas cibernéticas, a alimentação de sites de fake news e a disseminação de conteúdo falso e distorcido no WhatsApp e no Telegram. O ciclo de produção da desinformação se conclui quando a mensagem é disseminada ou amplificada por chefes de Estado.

A partir do momento em que a informação falsa é espalhada pelo próprio governo, o mal está feito: não é possível controlar a sua disseminação e alcance. Portanto, a desinformação não é só uma estratégia de comunicação infame, é um modo deliberado de governar. 

*PROFESSORA DA ESCOLA DE COMUNICAÇÃO DA UFRJ

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