Falsificadores do "Dossiê Cayman" vão a julgamento hoje

O julgamento dos falsificadores do Dossiê Cayman começa hoje à tarde com o depoimento, na 10ª vara federal, de Honor Rodrigues da Silva, líder da quadrilha que forjou a documentação. O golpe consistia em atribuir ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e aos ex-ministros José Serra e Sérgio Motta a propriedade de uma conta bancária secreta nas Bahamas com saldo de US$ 368 milhões. O falecido governador de São Paulo, Mário Covas, também foi envolvido na fraude. Entre os réus está Leopoldo Collor, irmão do ex-presidente Fernando Collor, e Luiz Cláudio Ferraz da Silva. Em julho de 1998 os dois pagaram US$ 4,2 milhões pelas cópias da papelada falsa forjada por Honor, sua mulher, Cláudia Rivieri, Ney Lemos dos Santos e João Roberto Barusco, que viviam em Miami, Estados Unidos. Segundo denúncia do procurador, Leopoldo Collor comprou os papéis com intenção de fazer uma denúncia falsa contra a cúpula do tucanato. O ex-presidente Collor chegou a ser indiciado pela PF como o verdadeiro comprador dos papéis e como principal "corretor" o pastor evangélico Caio Fábio D´Araújo Filho. Mas o procurador Luiz Fernando Viana preferiu não denunciar os dois, alegando falta de provas. O dossiê chegou a ser oferecido a vários políticos, entre ele o então candidato à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, que recusou o negócio. Parte do dossiê chegou a ser divulgado pela imprensa.No processo, o Ministério Público Federal também pede a condenação de oito réus pelos crimes de denunciação caluniosa, uso de documento falso, falsidade ideológica e evasão de divisas. Se forem condenados, podem pegar até oito anos de cadeia. Entre os processados estão o ex-diretor-geral da Polícia Federal, Vicente Chelotti, e o ex-chefe da Interpol no Brasil, delegado Washington Mello, hoje aposentado.Chelotti e Mello foram envolvidos no caso porque resolveram fazer uma investigação paralela e terminaram escondendo parte da documentação sobre o golpe, além de elaborar um relatório omitindo informações dos investigadores oficiais do caso.

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