Falsários roubam dados de usuários do UOL

Um golpe aplicado em nome do UOL que atingiu aproximadamente 10 mil assinantes do provedor de acesso e provocou prejuízos ainda incalculados está sendo investigado pelo setor de Crimes na Internet da Polícia Civil de São Paulo. A falsa mensagem pediu o recadastramento dos assinantes e indicou o link para uma página falsificada do Universo Online. Além dos dados cadastrais do internauta, a mensagem solicitou o número do cartão de crédito do assinante. "Foi um dos maiores golpes na Internet brasileira de que se tem conhecimento e que conseguimos esclarecer", explicou nesta quarta-feira o delegado Renato Funicello, diretor do Departamento de Telemática da Polícia Civil. Um inquérito policial foi instaurado em 17 de setembro a pedido do Universo Online. O delegado Mauro Marcelo de Lima e Silva foi designado para as investigações e descobriu que as informações do falso recadastramento estavam sendo enviadas para dois provedores nos Estados Unidos e para outro em Brasília. Com a ajuda da polícia norte-americana, Lima e Silva conseguiu quebrar o sigilo das contas dos provedores norte-americanos e descobriu o número de um telefone de Brasília de onde foram feitas muitas conexões. No dia 22 de janeiro, o delegado esteve em Brasília e, com ordem da Justiça, entrou na residência de um funcionário do Senado. O filho do dono da casa, segundo a polícia, está envolvido no golpe. O delegado e sua equipe apreenderam computadores, disquetes e material que comprovaram o crime. Tudo foi encaminhado para o Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil de São Paulo. Os peritos estão analisando o conteúdo dos computadores e dos disquetes. Muitas provas já teriam sido encontradas. O nome do filho do funcionário do Senado está sendo mantido em sigilo. As pessoas responsáveis pelos provedores nos Estados Unidos estão identificadas. Ao descobrir o golpe, o UOL cancelou a conta administador@uol.com.br utilizada para o envio das mensagens e mandou aviso aos que receberam o pedido para o falso recadastramento, informando que não havia necessidade do envio dos dados. As informações passadas para os provedores foram utilizadas pelos golpistas para a realização de compras pela Internet. Uma das vítimas seria uma procuradora da República residente em Pernambuco. Ela recebeu o extrato do cartão de crédito com as anotações de compras nos Estados Unidos num total de US$ 2 mil. As investigações continuam. A polícia espera o recebimento dos laudos periciais para dar prosseguimento ao inquérito. O delegado Lima e Silva está no Japão num curso de especialização em policiamento e combate a crimes da Internet. Seu assistente Marcelo Iacomino está à frente da apuração.

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